Combater a fome e reconquistar direitos são desafios na reconstrução do Brasil

12/06/2022 00:25

(Foto: Dino Santos) A conjuntura econômica e política e os desafios para a classe trabalhadora foram abordados no debate da manhã deste sábado, 11, na 24ª Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias. O convidado para mesa, que teve como tema “Reconstruir o Brasil que a gente quer”, foi Aloizio Mercadante, […]

(Foto: Dino Santos)

A conjuntura econômica e política e os desafios para a classe trabalhadora foram abordados no debate da manhã deste sábado, 11, na 24ª Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias. O convidado para mesa, que teve como tema “Reconstruir o Brasil que a gente quer”, foi Aloizio Mercadante, professor, economista e presidente da Fundação Perseu Abramo.

(Foto: Dino Santos)

O aumento da pobreza, da miséria, do número de desempregados e a privatização de empresas públicas foram destacados pelo economista como resultado do trágico desgoverno de Bolsonaro, que aprofundou a crise econômica que já afetava o Brasil.

“Tem um problema estrutural que é a dinâmica desse capitalismo globalizado com políticas econômicas neoliberais. O Brasil já vinha em uma crise anterior, especialmente agravada pelo golpe e pela política neoliberal do Bolsonaro que aprofundou a crise que estamos atravessando. Na média, a população brasileira perdeu 7% de sua renda. Mas quem mais perdeu são os mais pobres. Cerca de 10 milhões de brasileiros perderam 34% da renda, que vivem com R$ 1,30 por dia, conforme dados do IBGE”, apontou Mercadante.

Durante a mesa, o economista citou prioridades para a reconstrução do país. A primeira delas é combater a fome e recuperar direitos perdidos, com distribuição de renda, inclusão social, combate à extrema pobreza e recuperação do poder de compra do salário mínimo.

“Temos uma situação dramática. Os índices sobre a desigualdade mostram que a renda e a riqueza estão se concentrando fortemente. O lucro das empresas listadas em bolsas no primeiro trimestre cresceu 80%. Essa lógica financeirizada e esse modelo neoliberal concentra riqueza de forma cada vez mais acelerada e distribui pobreza, desigualdade, miséria e desespero”, denunciou.

Trabalhador precarizado

Durante sua explanação, Mercadante também falou sobre a precarização do trabalho. Dados do IBGE mostram que atualmente o Brasil tem 10 milhões de desempregados e cerca de 26 milhões de trabalhadores subutilizados, que vivem de bico.

“Pela primeira vez na história o mundo do trabalho precarizado é maior que o mundo do trabalho organizado. Metade da classe trabalhadora não tem sindicato, não tem direito não tem sequer instrumento mínimos de se mobilizar e se defender”, apontou.

Fortalecimento da democracia

Durante o debate, os bancários e dirigentes de centrais sindicais foram unânimes ao apontarem que a reconstrução do país passa necessariamente pela defesa democracia e para isso é preciso derrotar Bolsonaro e eleger Lula.

“Essa extrema direita está lá com o Trump, está na colômbia, com mais de 400 dirigentes sindicais assassinados, estava no Chile, está no Uruguai. Ela se organizou nas redes sociais, ela apareceu com uma política de ódio e discriminação, homofóbica, machista. O Bolsonaro é produto deste movimento. Que Brasil nós vamos ter se ele for reeleito e empoderado?”, indagou Mercadante.

O diretor do Sindibancários/ES e dirigente da Intersindical, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), compôs a mesa de debate e frisou que o apoio político crítico da classe trabalhadora à eleição de Lula é fundamental para derrotar o Bolsonarismo.

(Foto: Dino Santos)

“Nós, da Intersindical, estamos de acordo com a plataforma que foi aprovada pelas centrais sindicais e que está sendo dialogada com o presidente Lula como programa de governo. Estamos intensificando o debate junto às nossas bases, além da categoria bancária, sobre a necessidade de enfrentarmos o fascismo no Brasil e no mundo. O capital está se reestruturando e disputando uma nova configuração de um estado autoritário e intolerante em relação às diferenças, um estado extremamente violento. E o governo Bolsonaro expressa esse estado burguês da barbárie. Por isso, entendemos que é fundamental reconhecermos que o Lula reúne as condições objetivas para derrotar o neofascismo e toda essa política perversa de privatizações e de ataque á classe trabalhadora.”, enfatizou.

Ao intervir no debate, a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima, reafirmou o apoio à candidatura do Lula, que deve governar comprometido com a classe trabalhadora.

“É necessário se comprometer com a revisão da reforma trabalhista, que foi um dos ataques mais cruéis que a classe trabalhadora recebeu após o golpe. É preciso avançar nesta questão e ter um diálogo sincero com a plataforma dos movimentos sociais e das centrais sindicais. Apesar da frente ampla ser necessária para eleger o presidente Lula, quem vai sustentar o governo Lula será a classe trabalhadora unificada, os movimentos sociais, o povo. E é para esses que o presidente Lula deve governar”, enfatizou a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.

 

Inovação tecnológica

Ao longo do debate, Mercadante apontou outras prioridades necessária para a reconstrução do Brasil, como o investimento público em uma política de industrialização focada na inovação, na ciência e na pesquisa da indústria 4.0.  “Precisamos sair desse mercado primário exportador que está exportando petróleo e comida. Nós precisamos de indústria que gere valor agregado. É a indústria que gera emprego de qualidade. E não haverá condição de recuperar a economia se não tiver um estado com capacidade de investimento. A saída da crise é com investimento público”, ponderou.

Pelo fim do teto de gastos

O fim do teto dos gastos é um dos principais eixos políticos defendidos pelos bancários na Campanha Salarial. Segundo Mercadante, nenhum país da União Europeia tem mecanismo de controle de gastos, e nenhum país do mundo tem um programa que impede o crescimento dos gastos sociais por 20 anos – nem que o PIB cresça –, como o teto de gastos imposto ao Brasil após o golpe de 2016.

“Nós queremos sustentabilidade, mas é preciso ter flexibilidade ao longo dos anos. Nos Estados Unidos, olha o plano Biden, o plano ‘Nova Geração’, da União Europeia. São planos de um Estado que investe, que tenta reconstruir”, enfatizou o economista.

Privatizações e o aumento da crise

O economista também citou a inflação como um dos principais problemas do brasil atual, e avaliou que o desmonte da Petrobras e a atual política de preços dos combustíveis tem grande parcela de responsabilidade nesta questão.

“Venderam as refinarias, a BR Distribuidora, a estrutura dos gasodutos, e agora querem acabar com o regime de partilha do pré-sal. Estão privatizando e desmontando (…) O Brasil hoje está importando um terço dos derivados do petróleo e exportando óleo cru. O petróleo deve ser uma vantagem comparativa para a economia e para a sociedade, por isso precisamos de uma empresa pública que segure este preço”, afirmou.

Mercadante lembrou da venda da Eletrobras e avaliou que o que está acontecendo com a Petrobras e com o custo dos combustíveis é o pode acontecer com a energia elétrica na casa das pessoas amanhã.

Bancários na reconstrução do Brasil

Ao longo da história da redemocratização do Brasil e da luta por direitos, os bancários e as bancárias foram protagonistas de diversas ações. As eleições deste ano representam um divisor de águas para a classe trabalhadora. Ao final, Mercadante convocou os bancários para se manterem firme na luta em defesa da democracia.

“Vocês trabalham para um dos poucos setores que ganham muito. Então, devem fazer uma grande campanha, buscar a justa valorização, mas lutar também para retomar esse país. Organizem uma pauta para discutir programa de governo: bancos públicos fortes; papel dos fundos de pensão; como reduzir a dívida dos pequenos devedores e democratizar o crédito; como combater a concentração bancária. Vamos dialogar com os bancários e pensar esse país”, disse Mercadante.

Com informações da Contraf