Regulamentação do teletrabalho, remuneração, segurança, saúde, previdência complementar, condições de trabalho, emprego e auxílio educação são os principais pontos da minuta específica de reivindicações definidas no Encontro Nacional dos Trabalhadores do Bradesco, realizado nesta quinta-feira, 9. O documento será entregue à direção do banco na próxima terça-feira, 14.
O evento, em formato híbrido, teve a sua parte presencial realizada na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo. Contou com a participação do técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Gustavo Cavarzan.
Os dados apresentados pelo economista revelam como o desempenho dos bancos no início de 2022 espelham o modelo econômico concentrador de renda do país, com aumento da pobreza, da inflação e consequente endividamento das famílias em linhas de créditos caras que se tornam receita nos balaços do bancos. “Além do modelo do país, o resultado dos bancos é construído com base em um forte processo de digitalização, reestruturação e surgimento de novos modelos de negócios”, disse. O técnico do Dieese ainda deixou um desafio para os delegados do encontro: debater quais as consequências desse modelo para o emprego no ramo financeiro e para a organização sindical.
“As cobranças de resultado por parte do banco são enormes, porém os funcionários não recebem um tratamento condizente com seu esforço. Isso ficou bastante nítido nesse encontro, por isso cobraremos do Bradesco o atendimento das demandas encaminhadas pelos bancários”, afirmou a diretora do Sindicato Sandra Alzira Gonçalves.
Unidades de negócios
Outro tema debatido no Encontro Nacional foi o fechamento de agências bancárias. Segundo dados do Banco Central (BC), a queda no número de unidades acumulada na pandemia foi de 11%, o que levou a rede de agências ao menor patamar da série histórica, iniciada em 2007.
O banco que mais reduziu a rede de atendimento presencial na pandemia foi o Bradesco. A instituição fechou 1.527 agências desde março de 2020. Muitas delas, foram transformadas em unidades de negócios, que funcionam sem nenhuma estrutura de segurança, como portas eletrônicas ou presença de vigilantes.
Rede de agências
A rede de agências, de acordo com o BC, está diminuindo no país desde 2017, mas os fechamentos aceleraram na pandemia de covid-19. Motivo: o isolamento impulsionou os pagamentos e o atendimento bancário por meios digitais.
Os dados do Banco Central revelam que, no geral, o Brasil terminou 2021 com 18.302 agências bancárias. São 2.351 a menos do que o registrado no início da pandemia. De março a dezembro de 2020 os fechamentos somaram 1.334 unidades e, em 2021, mais 1.017 em 2021.
Com informações apuradas pela Contraf-CUT

