Nesta terça-feira (29), bancários do Itaú promoveram um Dia Nacional de Luta para denunciar as condições precárias que enfrentam diariamente: um cenário marcado por demissões, metas abusivas e o adoecimento de trabalhadores. A mobilização busca trazer visibilidade para as dificuldades enfrentadas pelos funcionários, que contrastam com a imagem de sucesso e prosperidade promovida pelo banco, que recentemente completou 100 anos.
No Espírito Santo, diretores do Sindicato percorreram as agências de Campo Grande, Jardim América, Praia do Canto, Jardim Camburi, Jardim da Penha, Goiabeiras e Carapina para entregar o jornal específico da campanha pela valorização dos bancários do Itaú e conversar com os colegas. “Os bancos cobram metas absurdas; gestores e superintendentes das regiões só sabem cobrar porque querem ganhar prêmios, ameaçam transferir e até demitir o funcionário. Não basta 100%, querem 160% da meta imposta, mas a realidade da população é outra. Nas propagandas, o banco fala que realiza sonhos, mas o funcionário está estressado, muitas vezes sem brilho nos olhos, sem prazer de sair de casa para trabalhar por tanta cobrança, muitos adoecidos”, afirma o diretor do Sindibancários/ES José Claudio Duarte. “Queremos ter liberdade de construir um bom relacionamento com os clientes para ofertar o que de fato ele precisa e não vender a qualquer custo para bater a meta”, acrescenta ele.
Feito de futuro
A ideia da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú é mostrar que o banco, um dos maiores da América Latina, celebra seu centenário com o slogan “feito de futuro,” mas a realidade dos bancários é de pressão intensa e pouco reconhecimento. Mesmo com o lucro crescente, os funcionários relatam uma rotina de exaustão e estresse, alimentada por metas abusivas e uma cultura de assédio moral. Depressão, ansiedade e esgotamento psicológico tornaram-se frequentes entre os que tentam manter o ritmo imposto pela gestão, que adota medidas punitivas e demissões por justa causa de forma recorrente e, muitas vezes, desmotivada.
Demissões e adoecimento
Nos últimos doze meses, o Itaú fechou 1.785 postos de trabalho e 175 agências, intensificando a carga de trabalho para aqueles que permanecem no banco. A prática de terceirização já afeta 3.500 trabalhadores no estado de São Paulo, agravando a precarização das condições de trabalho e o adoecimento dos bancários. Demissões por justa causa se tornaram frequentes, baseadas em motivos que muitas vezes desconsideram o contexto dos trabalhadores, como nos casos de advertências aplicadas a funcionários com a prova de Certificação Profissional Anbima (CPA) marcada.
Além das demissões, a sobrecarga e o ambiente tóxico fazem com que o assédio moral e o adoecimento sejam problemas comuns entre os bancários. Casos de doenças psíquicas relacionadas ao trabalho no Itaú já representam 90% dos atendimentos dos sindicatos. Em vez de apoio, muitos trabalhadores recebem telegramas de abandono de emprego quando adoecem, uma atitude que reflete o desrespeito do banco em relação à saúde dos seus funcionários.
“No Espírito Santo, estamos recebendo diversas denúncias de bancários que estão sendo vítimas de ameaças diretas de gerentes regionais e de agências. Esse é o modelo de gestão do Itaú que vem adoecendo os empregados, que vivem pressionados por cobrança em tom de ameaça para o cumprimento de metas inatingíveis e com a sobrecarga de trabalho. Isso é desumano. Precisamos nos manter atentos e mobilizados para enfrentar esse modelo de gestão perversa. Procure o Sindicato e denuncie qualquer tipo de assédio”, enfatiza o dirigente do Sindibancários/ES, da Fetraf-RJ/ES e membro da COE Itaú, Alcendino Anderson dos Santos (Sãozinho).
A campanha lançada nesta terça busca unir os bancários e sensibilizar a sociedade para o desrespeito com o qual o banco tem tratado seus funcionários. A luta segue por condições de trabalho mais dignas, pelo fim das práticas abusivas e pela valorização dos profissionais que, diariamente, fazem o banco prosperar.
Texto: Contraf-CUT, com edições do Sindibancários/ES

