Bancários do RJ e ES defendem luta por saúde e valorização da categoria na Campanha 2024

18/05/2024 16:51

A 26ª Conferência Interestadual teve a participação de 180 delegados representando as bases sindicais do Espírito Santo, Angra dos Reis, Baixada Fluminense, Itaperuna, Macaé, Nova Friburgo e Três Rios. 

Os bancários e bancárias do Rio de Janeiro e Espírito Santo, reunidos na 26ª Conferência Interestadual dos Trabalhadores do Ramo Financeiro neste sábado, 18, no SESC de Guarapari/ES, definiram levar para a 26ª Conferência Nacional dos Bancários, de 7 a 9 de junho, em São Paulo, todas as reivindicações apresentadas pelos sindicatos filiados à Fetraf RJ/ES. Dentre as reivindicações estão temas da área de saúde e a valorização do trabalho bancário, com mais contratações, a reposição da inflação do período e um aumento real de 10% e aumento dos percentuais de participação nos lucros e resultados (PLR) de acordo com produtividade e lucratividade do sistema financeiro, com pagamento linear da PLR. 

A pauta da saúde inclui o fim das metas, a jornada de quatro dias semanais como forma de dar qualidade de vida aos trabalhadores, melhores condições de trabalho nos locais de trabalho e em home office, dentre outros pontos. Outras reivindicações e eixos de lutas aprovados na conferência são: promoção de igualdade de oportunidades; defesa da jornada de 6 horas; defesa do emprego bancário; mais segurança nos bancos; a defesa dos bancos públicos; construção do ramo financeiro; isonomia salarial entre homens e mulheres; respeito à identidade visual/cultural; isonomia de tratamento para homoafetivos; ausência do trabalho em período menstrual; combate ao assédio moral e sexual no trabalho; proteção à empregada gestante e lactante em caso de trabalho insalubre ou perigoso e garantia de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica com possibilidade de trabalho à distância mediante solicitação expressa pela bancária.

Conferência

A 26ª Conferência teve a participação de 180 delegados representando as bases sindicais do Espírito Santo, Angra dos Reis, Baixada Fluminense, Itaperuna, Macaé, Nova Friburgo e Três Rios. 

A mesa de abertura foi composta por Nilton Damião, presidente da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES); Claudio Vieira, secretário-geral da Fetraf RJ/ES e Rita Lima, coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES. Em seguida houve saudação aos presentes por Gustavo Tabatinga, representando a Contraf/CUT; Elizabeth Paradela, falando pela CUT e Carlos Pereira Araújo (Carlão), pela Intersindical.

“É  importante levarmos para a Conferência Nacional as reivindicações da categoria. O fechamento de agências e as demissões têm provocado o adoecimento dos trabalhadores bancários, que estão sobrecarregados pela falta de funcionários e pressionados para cumprir metas”, falou Damião.

Rita Lima afirmou receber com alegria a conferência no Espírito Santo onze anos após o último evento realizado no estado. Ela destacou a importância de fortalecer a representatividade do Rio e Espírito Santo na construção da minuta geral. A coordenadora-geral do Sindicato lembrou que a conferência acontece num momento difícil no Brasil. “O rentismo e a especulação continuam prevalecendo independente da miséria do povo. O que vamos fazer para que o presidente tenha lastro popular para abrir caminho em favor dos nossos direitos? Temos responsabilidade como categoria e classe trabalhadora. O espaço da conferência é importante para que possamos fazer  bons debates e nos fortalecermos para a luta”, afirmou.

Integrante do Comando Nacional e representante da Intersindical, Carlão afirmou: “Na Conferência Nacional é importante a categoria bancária colocar nos eixos políticos a luta pela redução dos juros, pela saída de Campos Neto [do Banco Central], que sabota políticas do governo com juros alto; apoiar a luta camponesa e dos quilombolas. O desafio enquanto central da classe trabalhadora é unificar as lutas para fazer enfrentamento de massa, para enfrentar o capital, lutar pelas políticas públicas e discutir o papel do sistema financeiro”, afirmou.

Debates

A economista do Dieese Cátia Uehara, que falou na primeira mesa da conferência, mostrou em números o cenário de endividamento das famílias, juros altos, redução do emprego bancário e precarização do emprego no ramo financeiro. Segundo ela, a pandemia da covid-19 gerou ambiente propício para que as instituições financeiras dobrassem a aposta na reestruturação, a fim de reduzir custos e retomar a rentabilidade pré-pandemia. 

Essa reestruturação aponta uma maior utilização de tecnologias, redução e externalização do atendimento físico com fechamento de agências e postos de trabalho internos, ao mesmo tempo que ampliam-se estruturas externas de atendimento, como correspondentes ou fintechs. Há um aumento do emprego no ramo financeiro não bancário, inclusive em segmentos não assalariados, como pessoas jurídicas e microempreendedores individuais (MEI).

Para Fabiana Proscholdt, conselheira de Administração da Caixa eleita pelos empregados, nesse contexto, a defesa das estatais é importante, pois significa o investimento na nação e o controle da concorrência. “Nosso papel é discutir o sistema financeiro que sangra a sociedade. O que nós defendemos é um sistema que dá subsídios para uma sociedade melhor. Temos que ter pessoas na alta administração [dos bancos] para mudar o atual viés. Defender as estatais, fora a questão do emprego, é defender o patrimônio que nós construímos ao longo do tempo”, afirmou. 

Ela citou o exemplo da Caixa, reafirmando a posição contrária do movimento contra a  transferência das loterias para uma subsidiária. Na sua avaliação, essa medida enfraquece a empresa, pois os investimentos em tecnologia e pessoal não irão mais para a empresa-mãe. Além disso, a subsidiária pode ser privatizada “numa canetada”. Ela também citou o prejuízo para a sociedade, dado que parte do que é arrecadado (cerca de 40%) vai para políticas públicas do governo. 

Saúde

A Conferência também contou com a participação dos professores do Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento da Universidade Federal do Espírito Santo Roberta Belizário e Thiago Drumond. Eles atuam na área de saúde do trabalhador e integram a equipe que está desenvolvendo a pesquisa Nossa Saúde Importa, sobre saúde mental dos bancários do Espírito Santo. 

Belizário falou dos sentidos social, psicológico e subjetivo da atividade de trabalho e como, no mundo contemporâneo, o processo de trabalho tem se tornado motivo de adoecimento. “O trabalho implica numa relação de criação, mas a relação que vem se estabelecendo com o trabalho vem se modificando, com intensa subordinação e alienação”, afirma. Ao se transformar em algo operacional, vira atividade a ser cumprida sem relação com aquilo que importa aos trabalhadores, perdendo o sentido. A partir daí o indivíduo vai perdendo o sentido do trabalho, abrindo caminho para o sofrimento psíquico.

Drumond apresentou alguns dados preliminares da pesquisa Nossa Saúde Importa, que está sendo desenvolvida pelo Sindicato em parceria com a Ufes. Segundo ele, quase 40% dos respondentes já foram trabalhar com atestado  médico, 68% fazem tratamento psicológico ou psiquiátrico, mais de 30% usam medicamento psiquiátrico. “É uma  população bastante afetada sob o ponto de vista da saúde mental”. Ansiedade em nível grave, depressão e estresse são os males mais citados. 

O professor destacou que as ferramentas institucionais de gestão desenvolvidas ao longo dos anos fazem o trabalhador internalizar a “submissão voluntária”, de forma que o trabalhador fique disponível para esse tipo de gestão, “dormindo e acordando pensando no trabalho”.

Para a professora Belizário, o grande desafio é pensar como o trabalho pode voltar a fazer sentido e tornar-se significativo para o trabalhador. “O trabalho é possibilidade de saúde. É preciso produzir uma ética do coletivo, ter sensibilidade ao sentimento do outro, compreender que é [sofrimento] de toda uma categoria, que é um sintoma coletivo, não ignorar o adoecimento e não normalizá-lo”, afirmou. 

Delegação

Ao final da conferência foram eleitos os delegados para a Conferência Nacional. Confira. 

  1. Ayres Carlos Alves de Oliveira (Andra dos Reis)
  2. Pedro Batista (Baixada Fluminense)
  3. Renata Soeiro (Baixada Fluminense)
  4. Solange Viana (Baixada Fluminense)
  5. Ricardo Sá (Baixada Fluminense)
  6. Rita Lima (ES)
  7. Ronan Vieira (ES)
  8. Bethania Emerick (ES)
  9. Igor Chagas Silva (ES)
  10. Vanessa Espindula (ES)
  11. Marcelo Giacomin (ES)
  12. Fabrício Passos Coelho (ES)
  13. Cláudio Merçon (ES)
  14. Priscilla Gomes Pereira (ES)
  15. Carlos Pereira de Araújo (ES)
  16. Hudson José Lpes Bretas (Itaperuna)
  17. Paulo Alves Júnior (Macaé)
  18. José renato Riscado de Carvalho (Macaé)
  19. Luiz Gabriel Almeida Velloso (Nova Frigurgo)
  20. Marcos Vinícius da Silva Oliveira (Três Rios)
  21. Nilton Damião Esperança (Três Rios)

Fotos: Sérgio Cardoso