Hoje foi dia de manifestação no Santander da Reta da Penha, onde funciona a Superintendência Regional e uma das poucas agências que sobraram do banco no Espírito Santo. A ação integrou a Jornada Internacional de Luta do Banco Santander, organizada por entidades representativas da categoria nas Américas.

Os bancários capixabas ficaram com as atividades paralisadas até as 11 horas em protesto à violação de direitos trabalhistas, fechamento de agências, demissões, assédio moral, terceirização fraudulenta e precarização das condições de trabalho, dos serviços e do atendimento à população, além das práticas antissindicais cometidas sobretudo no Chile, Uruguai e Argentina.

“Hoje, mais da metade dos trabalhadores do Grupo Santander não são bancários, mas executam o serviço de bancário”, afirmou o diretor do Sindibancários/ES Cláudio Merçon (Cacau), referindo-se à terceirização fraudulenta.

Cacau também falou do adoecimento mental por conta do assédio moral de gestores e da estrutura do banco. “Numa plataforma dessa Regional, oito funcionários estão afastados por problemas de saúde, sendo que seis estão com questões relacionadas a adoecimento mental”.

Ele destacou que o “sorriso no rosto dos funcionários e o bom atendimento prestado aos clientes” escondem um “coração adoecido” pela exigência de metas e excesso de trabalho para os poucos que sobrevivem ao processo de demissões, lembrando que nem aos finais de semana os bancários do Santander conseguem se desconectar, pois mensagens chegam no celular, e eles se sentem pressionados pelas metas a bater no final do mês.

Sobre o fechamento de agências no Espírito Santo, o dirigente sindical lembrou: “Se você precisar de ir a uma agência do Santander vai ter que andar muito! Nos últimos dois anos, dez agências foram fechadas no Estado; no Centro de Vitória não tem nenhuma agência do Santander”. Cacau lembrou que os mais prejudicados com essa situação são os clientes que precisam do atendimento “na boca do caixa”, pois a maioria dos serviços do Santander migrou para a rede virtual.

A prática antissindical do Santander em países como Uruguai, Chile e Argentina foi denunciada pelo diretor do Sindibancários: “O banco tem perseguido dirigentes, impedindo que os sindicatos façam seu trabalho [de organização e defesa dos direitos dos trabalhadores].

A campanha de denúncia das práticas predatórias do Santander continuará em toda a América Latina, pois o banco, à custa do emprego decente, mira no aumento da sua lucratividade para remessa à matriz, na Espanha, o que é inaceitável.

Fotos: Sérgio Cardoso