Bancários e bancárias da Caixa ampliam greve e paralisam quase 100% das agências no ES

15/09/2026 12:17

Bancários são convocados para plenária virtual nesta terça-feira (15), às 19 horas

No quarto dia de greve, nesta terça-feira (15), os bancários e as bancárias da Caixa paralisaram 73 unidades, entre agências e setores administrativos, no Espírito Santo . O movimento paredista cresce forte em todo país. Os empregados do maior banco público do Brasil, iniciaram a greve na última quinta-feira (10) e na sexta-feira (11), reunidos em assembleia, reafirmaram a continuidade da paralisação e rejeitaram a proposta de acordo rebaixada apresentada pelo banco. Nesta terça-feira (15), às 19 horas, os bancários capixabas se reúnem em plenária virtual de organização da continuidade da greve. 

Clique aqui para participar da plenária 

Diante do anúncio da direção da Caixa de uma nova rodada de negociação nesta quarta-feira (16), a dirigente do Sindibancários/ES Rita Lima fala sobre a importância de fortalecer ainda mais a mobilização. “A nossa greve continua firme e forte. E deve continuar assim até que as negociações tragam uma proposta favorável e aceitável pela categoria. Hoje à noite, às 19 horas, convocamos todos os bancários e as bancárias para nossa plenária. A Caixa chamou a CEE para uma negociação amanhã. Então, mais do que nunca, temos que nos manter firmes para que, de fato, a nossa greve possa arrancar o acordo que precisamos. Vamos juntos, porque é na luta que a gente garante nossos direitos”, convoca Rita Lima.

Proposta rejeitada

A última  proposta rejeitada pelos bancários na última sexta-feira (11) feria gravemente os pilares do Saúde Caixa, como o pacto intergeracional e de solidariedade do plano. Na  proposta, a Caixa previa uma distribuição mutuária desigual, com a ampliação da participação do banco no custeio do plano, de 6,5% para 8%, e aumento de 7% para 9% de participação dos trabalhadores.  Além disso, não atendia a reivindicação dos trabalhadores do fim do teto de contribuição do banco.

Usuários já pagam cerca de 46% do plano

Os números do Relatório de Administração do Saúde Caixa mostram que a participação dos beneficiários já está muito acima dos 30% previstos no modelo histórico de custeio 70/30.

Em 2025, a contribuição líquida da Caixa foi de aproximadamente R$ 2,02 bilhões. As mensalidades pagas pelos usuários somaram R$ 1,39 bilhão e as coparticipações chegaram a R$ 303,6 milhões. Considerados esses valores regulares, a Caixa respondeu por cerca de 54% do financiamento, enquanto empregados, aposentados e pensionistas arcaram com aproximadamente 46%.

Essa distorção ocorre porque o estatuto do banco limita a participação da empresa a 6,5% da folha de pagamentos e proventos. Com o aumento das despesas assistenciais acima dos reajustes da folha, a contribuição da Caixa deixa de acompanhar os custos do plano e uma parcela crescente das despesas é transferida aos usuários. O fim desse teto estatutário e o restabelecimento efetivo do modelo 70/30 estão entre as principais reivindicações da campanha “Põe mais dinheiro, Caixa!”, aprovada no 41º Conecef.

Déficit exige solução estrutural

O Saúde Caixa registrou déficit operacional de R$ 627,8 milhões em 2025, resultado de despesas totais de R$ 4,39 bilhões diante de receitas de R$ 3,76 bilhões. O exercício terminou contabilmente com saldo positivo de R$ 67,1 milhões somente depois da incorporação de R$ 581,1 milhões em contribuições patronais incidentes sobre ações judiciais e acordos trabalhistas de anos anteriores e da utilização de R$ 46,7 milhões da Reserva Técnica.

Para o Dieese, esses recursos extraordinários não representam melhora estrutural da situação financeira do plano. As pressões sobre os custos permanecem e decorrem do aumento da idade média dos usuários, da maior utilização dos serviços, do aumento da complexidade dos tratamentos, da incorporação de novas tecnologias e da inflação médica, que supera a inflação geral.

O custo médio anual por beneficiário subiu de R$ 9.854 em 2022 para R$ 15.824,24 em 2025, aumento acumulado de 60,6%. Somente entre 2024 e 2025, o crescimento foi de aproximadamente 23,5%. A avaliação do Dieese é que essa transformação estrutural no perfil assistencial deve ser acompanhada de uma ampliação real da participação financeira da Caixa, e não de uma transferência ainda maior dos custos aos beneficiários.

A situação continuou pressionada em 2026. Até maio, o Saúde Caixa acumulava déficit de R$ 222,2 milhões, com despesas próximas de R$ 1,8 bilhão.