Em reunião nessa segunda-feira, 24, a Fenaban apresentou ao Comando Nacional dos Bancários uma proposta de protocolo de segurança unificado para orientar a prevenção contra a covid -19. Na ocasião, o Comando cobrou mais empenho dos bancos para pressionar o Governo Federal a incluir a categoria bancária no Plano Nacional de Imunização (PNI).
Para intensificar a mobilização em torno dessa pauta, acontece nesta quinta-feira, 27, o Dia Nacional de Luta pela inclusão da categoria como essencial no PNI e por vacina para todos. Carlos Pereira de Araújo (Carlão), do Comando Nacional, adverte que as agências são verdadeiras caixas de concreto sem nenhuma ventilação natural e sujeitas a aglomerações, ambiente favorável à transmissão do vírus.
“Por conta desse risco altíssimo de infecção, o Sindicato dos Bancários/ES, desde o início da pandemia, tem defendido a restrição do atendimento a demandas urgentes, como o pagamento do auxílio emergencial e outros benefícios sociais. Mas os bancos não têm demonstrado preocupação com as vidas dos trabalhadores e das trabalhadoras. Ao contrário, em plena pandemia os bancos seguem cobrando metas desumanas dos funcionários. O resultado de toda essa pressão é que além do estresse de enfrentar diariamente a covid, o trabalhador também tem sido vítima de outras doenças físicas e mentais”, sublinha o dirigente.
TRABALHADORES QUE ATUAM EM LOCAIS FECHADOS ESTÃO MAIS VULNERÁVEIS À COVID
Falta de transparência
Nas reuniões com a Fenaban o Comando tem insistindo para que os bancos informem o número de bancários e bancárias infectados pela covid, assim como o de óbitos, desde o início da pandemia. Na mesa de ontem, afirma Carlão, o Comando voltou a cobrar esses dados. “Os números são muito importantes para sabermos a real dimensão dos impactos da covid na categoria. Esse é um dado que inclusive fundamentaria ainda mais a nossa reivindicação de priorizar a vacinação dos bancários e das bancárias. A transparência sobre esses dados deveria ser garantida desde o início da pandemia”.
A Fenaban prometeu levar a demanda para os bancos analisarem e apresentar uma resposta ao Comando. A proposta é usar esses dados para cobrar do Ministério da Saúde a inclusão da categoria como prioridade no PNI. A Contraf deve enviar ofício para pedir uma reunião com o Ministério da Saúde para discutir a questão. Caso o pedido de reunião não seja atendido pelo Ministério da Saúde, a Contraf não descarta recorrer à Justiça.
Contagens paralelas
Sem os dados sistematizados dos bancos, algumas bases sindicais têm feito contagem não oficiais. O Sindibancários, desde o início da pandemia, relata Carlão, criou um mapa para acompanhar os casos de covid e os óbitos entre os bancários no Espírito Santo. Os dados apontam 389 casos confirmados e 5 óbitos, a partir da divisão das quatro regiões de saúde: Norte, Central, Metropolitana e Sul. A Região Metropolitana, que concentra a maioria das agências bancárias do Estado, é a que também responde pelo maior número de casos da doença: 286.
“Importante frisar. Esses dados não são oficiais. Podemos afirmar, sem ter medo de errar, que esse número está subnotificado. Mas se não fosse esse levantamento, nem esse dado estimado teríamos. Por isso a nossa insistência para que os bancos abram os dados”, reafirma o dirigente.
Protocolo unificado
Na reunião dessa segunda-feira a Fenaban apresentou a proposta de um protocolo nacional único de segurança contra a covid – reivindicação do Comando que estava represada havia um ano. Carlão explica que o propósito do protocolo único é equalizar as ações relacionadas à covid e estabelecer uma padronização. Hoje, conta o dirigente, os protocolos sanitários divergem de um banco para outro. “Por exemplo, em um banco há mais rigor num determinado procedimento que é negligenciado em outro. Essa falta de padronização prejudica o enfrentamento da doença, deixando funcionários e clientes confusos”.
A minuta apresentada pelos bancos estabelece o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscara, além de procedimentos como desinfecção de agências e outros locais de trabalho em casos de contágio.
“É preciso registrar que a resposta dos bancos vem tardiamente. Depois de um ano e dois meses de pandemia e mais de 450 mil mortos, os bancos finalmente apresentam um protocolo único. Se
houvesse zelo pelas vidas dos trabalhadores e das trabalhadoras, os bancos teriam apresentado esse protocolo no início da pandemia. Houvesse esse empenho, quantos bancários deixariam de ser infectados e mortos? Essa é a pergunta que fica para os bancos.”, critica Carlão.

