Diretores do Sindibancários/ES estão percorrendo agências do Centro de Vitória nesta terça-feira, 11, lançando a campanha nacional Menos Metas, Mais Saúde para denunciar o assédio e a cobrança abusiva que têm sido prática nos bancos. A campanha é do Comando Nacional dos Bancários, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), federações e sindicatos e vai durar seis meses.
No panfleto da campanha, as entidades denunciam o adoecimento físico e mental dos trabalhadores do ramo financeiro, com casos de transtornos psicológicos e as lesões por esforços repetitivos e doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (LER/Dort). “A responsabilidade por essa situação é inteiramente da gestão dos bancos. Profissionais das agências, do crédito, do call center, de TI [ tecnologia da informação]: não há quem saia ileso. Dentro dos bancos, o individualismo é reforçado a todo tempo, em detrimento da coletividade”, afirmam. Quando o trabalhador adoece, os bancos dificultam o tratamento, discriminando, descomissionando ou demitindo.
A campanha também faz o alerta: a proteção da saúde do trabalhador e da trabalhadora, que deveria ser garantida pelo INSS,deixa a desejar. Quando há necessidade de recorrer à Previdência Social, bancários e bancárias “são maltratados” e o “INSS cria inúmeros empecilhos para o acesso aos direitos”.
Estatísticas do adoecimento
Os dados do Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho (Smartlab) e do pesquisador Marcelo Finazzi (UNB) revelam que os bancários são um conjunto de trabalhadores adoecidos. Apesar de representar 1% do emprego formal no Brasil, a categoria responde por 24% dos afastamentos acidentários (B91) por doenças mentais e comportamentais no país. Em 2012, esse percentual era de 12%.
Nos últimos cinco anos, o número de afastamentos nos bancos aumentou 26,2%, enquanto, no geral, a variação foi de 15,4%. Isso significa que, entre os bancários, a variação foi 1,7 vez maior do que na média dos outros setores.
Nos afastamentos acidentários (B91), as doenças mentais e comportamentais saltaram de 30% em 2012 para 55% em 2021; e as doenças nervosas subiram de 9% para 16%.
Segundo os dados pesquisados, ocorre em média um suicídio a cada 20 dias entre os bancários.
É preciso reagir
“Não podemos naturalizar o adoecimento dos bancários. Trabalho tem que ser promessa de vida. Os bancos não podem ter lucros exorbitantes sugando a saúde da categoria. Por isso estamos nas ruas com essa campanha. É por respeito, saúde e menos pressão no trabalho”, afirma o diretor do Sindicato Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional dos Bancários.









