As agências do Banco do Brasil do Centro de Vila Velha e da avenida Rio Branco, em Vitória, só abriram hoje às 11 horas. A paralisação de uma hora foi um protesto contra o projeto de reestruturação do banco, que está causando transtornos na vida dos funcionários do BB. Lançado no último dia 7, o plano de reestruturação está gerando nos bancários insegurança sobre as movimentações.

As duas agências paralisadas receberam as demandas de outras unidades que, com o Programa Inova Varejo, lançado experimentalmente no Espírito Santo em 2024, tiveram eliminados os serviços dos caixas presenciais.

O Banco do Brasil, através Diretoria de Varejo, vem descumprindo os compromissos assumidos durante a Campanha Nacional 2024. Segundo a Contraf, o BB havia garantido que os caixas seriam realocados em novas funções, preservando a remuneração e a permanência na mesma cidade. No entanto, a realidade tem se mostrado diferente: trabalhadores estão sendo informados de que perderão suas funções em 1º de fevereiro, gerando insegurança e angústia. Em agências onde há mais de um caixa para uma única vaga, os gerentes gerais têm sido responsabilizados por decidir quem permanece, o que contraria os processos internos de seleção e ascensão, além de criar um ambiente de constrangimento e desrespeito.

Além disso, os cursos de reciclagem, que agora são pré-requisitos para os caixas se candidatarem a outras funções, não estavam previstos nos acordos firmados. Muitos trabalhadores, devido à alta demanda de trabalho, licença ou férias, não tiveram condições de realizar o curso e agora estão sendo prejudicados.

Triste notícia

Os bancários estão atormentados por todas essas mudanças.

“Hoje tive a triste notícia que não mais atuarei no caixa a partir de fevereiro. O caixa incorporado é quem deverá atuar e, na falta desse, será um assistente quem vai abrir [o caixa]. Foi dito que a minha agência necessita de apenas uma [pessoa] atuando [como caixa] e, nesse caso, deverá ser o incorporado. Sou caixa executivo nomeada há mais de doze anos, mas em 2017 só tinha cinco anos de caixa”, lamentou uma funcionária do BB.

Ela acrescentou: “Eu recebi um e-mail da Dipes falando que o fato de eu não ter sido incorporada não significa necessariamente que não poderei mais atuar no guichê. Já a orientação que o gestor recebeu foi diferente e me exclui dessa [possibilidade]”. A diretora Goretti Barone destaca que “isso mostra o desencontro de informações dos setores do Banco do Brasil”.

Outro bancário que entrou em contato com o Sindicato afirmou: “é um absurdo o que o banco está fazendo, principalmente com os caixas. No meu caso, recebi e-mail informando sobre a incorporação da gratificação, pois eu já tinha dez anos na função quando da reforma trabalhista. Porém, estou em um grupo com caixas de todo país e vários colegas que também já tinham mais de dez anos não tiveram a incorporação. Está uma confusão. Estou triste pelo que está acontecendo com o funcionalismo. O banco está extinguindo uma função que ainda é muito demandada”.

Dúvidas

O Sindicato orienta que, em caso de dúvidas, o funcionário acesse o serviço Fale com a Gepes. Também é importante enviar ao Sindicato as demandas e as dificuldades encontradas, assim como informações sobre pressão de gestores.

Fotos: Sérgio Cardoso