Em reunião na última quinta-feira, 2, entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE), o Grupo de Trabalho (GT) de Saúde e a direção do banco, o Itaú reconsiderou sua decisão de convocar irrestritamente todos os funcionários para o trabalho presencial. O banco concordou em manter em home office os bancários e as bancárias do chamado grupo de risco.
Diretor do Sindicato dos Bancários/ES e membro da COE, Alcendino Anderson (Sãozinho) avalia que a decisão de manter os funcionários do grupo de risco em home office foi a mais sensata neste momento. “Estamos acompanhando de perto o recrudescimento dos casos de covid-19 mundo afora em função do surgimento da variante ômicron. Ao longo desses dois anos de pandemia, o vírus repetiu um padrão: as ondas sempre chegaram antes na Europa, e com retardo de quase dois meses no Brasil. Não podemos arriscar e pôr em risco a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, especialmente os que fazem parte do grupo de risco, que são mais vulneráveis à doença”, assinala o dirigente.
Os membros do GT de Saúde do Itaú também alertaram que a pandemia ainda não acabou e inspira muita atenção. O GT defende o avanço da vacinação e cumprimento dos protocolos de saúde, como o uso de máscaras, respeito ao distanciamento social e álcool gel.
Na reunião, além de se comprometer em manter em home office os trabalhadores de grupos de risco, o Itaú garantiu que dará continuidade às campanhas para incentivar a vacinação das funcionárias e dos funcionários, inclusive recomendando a dose de reforço ao grupo de risco. O banco disse ainda que está intensificando a importância da manutenção dos protocolos de segurança sanitária entre os bancários por meio de campanha interna.
Demissões
Além da pauta de saúde, outro ponto discutido na mesa de negociação foram as demissões em agências e departamentos. Trabalhadores apontam que muitos desligamentos ocorrem pela cobrança de metas abusivas e avaliações de performance. A Coe cobrou do Itaú uma posição sobre as demissões que estão ocorrendo nas agências de todo o país.
O coordenador da Coe, Jair Alves dos Santos, afirmou que o Itaú precisa informar em detalhes quais locais estão passando por reestruturação. A Coe quer saber também se estão ocorrendo contratações. O coordenador acrescentou ainda que é urgente a criação de um centro de realocação para os funcionários.
O banco informou que haverá o fechamento de agências deficitárias e que os funcionários serão realocados em outras agências.
Os representantes dos trabalhadores também cobraram do banco explicações sobre denúncias de que funcionários estão sendo desligados por não terem as certificações CPA 10 e CPA 20.
Sobre esse questionamento, o Itaú respondeu que o desligamento por falta das CPA não é uma política institucional do banco. A Coe cobrou que o Itaú deveria emitir um comunicado oficial sobre o procedimento para certificação e esclarecimento aos funcionários.
Parcelamento de dívidas
Os trabalhadores também reivindicaram a retomada da discussão do parcelamento da devolução antecipação salarial feita pelo banco aos funcionários que se afastam para tratamento de saúde, conforme previsto na cláusula 65 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. Uma nova reunião será marcada para que o banco apresente um acordo para que todas as entidades sindicais avaliem em conjunto e passe a ser válido para todo o país. O banco disse que terá problemas operacionais na folha de pagamento, caso tenha que fazer o acordo por sindicato.
Banco de horas negativo
O acordo de banco de horas negativas, feito entre os representantes dos trabalhadores e o banco, com vigência de dois anos, vence em agosto de 2022. Na reunião dessa quinta-feira (2), o Itaú se comprometeu a agendar uma nova data, ainda neste mês de dezembro, para discutir o tema.
Diversidade
O banco afirmou concordar com as reivindicações dos movimentos sindicais para promover o respeito à diversidade e disse que irá agendar uma reunião para debater o tema. Entre os pontos defendidos pelos trabalhadores estão a igualdade salarial entre homens, mulheres, brancos e negros e o combate a toda e qualquer forma de discriminação contra as mulheres, identidades raciais, LGBTQIA+, imigrantes, jovens, idosos, pessoas com deficiência e contra intolerância religiosa e política.
Segurança bancária
O banco também se comprometeu a agendar uma nova reunião para debater o tema segurança bancária com a participação do diretor responsável desta área. Os representantes dos funcionários ressaltaram a importância de garantir a proteção aos trabalhadores e clientes nas agências de negócios e unidades de varejo; manutenção de vigilantes; porta de segurança com detecção de metais; segurança ao manuseio de numerário e escudos de proteção entre outros equipamentos de segurança nos locais de trabalho.
(Com informações da Contraf)







