Banco americano vai comandar privatização da Caixa Seguridade

07/01/2020 16:51

Avaliada em R$ 60 bilhões, a oferta inicial de ações (IPO) será comandada pelo Morgan Stanley, que vai liderar um grupo de 10 bancos

Como já era previsto, o ano mal começou e o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, já aperta os passos em direção à privatização de segmentos rentáveis do banco. O primeiro alvo é a Caixa Seguridade, com oferta inicial de ações (IPO) prevista para o início de abril. No pacote de fatiamento da Caixa, Guimarães já anunciou também que, em junho, irá privatizar a Caixa Cartões, outro importante ativo do banco público.

Nesta terça-feira, 7, os jornais repercutiram a IPO da Caixa Seguridade, que será comandada pelo Morgan Stanley, que vai liderar um grupo de 10 bancos na operação, que inclui Bradesco BBI, Itaú BBA, Banco Plural, Banco BTG Pactual, Banco do Brasil, Credit Suisse, Santander Brasil, Bank of America e Caixa.

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, disse que privatizar a Caixa Seguridade é abrir mão de um dos segmentos mais lucrativos do banco. “Eles estão cumprindo à risca o roteiro anunciado. Começaram com as loterias no ano passado. Agora é a divisão de seguros e depois a de cartões. Mas não podemos ficar surpresos com o anúncio. Não é novidade para ninguém que a vontade do ministro [da Economia] Paulo Guedes sempre foi entregar a Caixa para o capital estrangeiro”, criticou Lizandre.

A dirigente sindical afirmou que a venda de ativos estratégicos, do ponto de vista da sustentabilidade do banco, enfraquece a instituição. “Vai sobrar o que para a Caixa?”, questionou Lizandre, que acrescentou: “Esse fatiamento vai minado a sustentabilidade do banco. Abrir mão de áreas lucrativas do banco significa inviabilizar o propósito social da Caixa. São justamente esses recursos que financiam os projetos sociais do banco, como habitação, saneamento e crédito a pequenos empreendedores”, assinalou Lizandre.

Essa e a segunda tentativa da Caixa de abrir uma oferta pública inicial (IPO). Essa será a primeira IPO da história do banco fundado 1861, que completa 159 anos no próximo dia 13. Em 2015, o governo chegou a sondar o mercado para abrir as ações, mas não teria chegado a um valor satisfatório para consolidar o negócio.