O lucro do Banco do Brasil foi de R$ 8,679 bilhões no primeiro semestre de 2019, um crescimento de 38,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A rentabilidade do banco chegou a 14,9%, ante 11,5%, na comparação entre os mesmos períodos.
Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone, esse resultado é fruto da dedicação dos bancários, mas também da ampliação do assédio e da exploração da categoria. “É um lucro muito alto, que não pode ser dissociado da sobrecarga enfrentada pelos bancários e do permanente assédio para o cumprimento de metas. É uma pressão que adoece. O banco está cortando profundamente as despesas administrativas e com o funcionalismo, com uma série de reestruturações, chegando a cortar até as equipes de limpeza das unidades. Há um clima de terror instalado que tira qualquer prazer em se trabalhar no Banco do Brasil hoje”, critica Goretti.
Goretti também questiona o distanciamento do BB de seu papel social. “Enquanto aumenta o lucro do banco, reduz-se inversamente o número de empregado e de agências, e o BB vai se distanciando do atendimento à população e negando seu papel público”.
Nos últimos doze meses, o BB reduziu 1.507 postos de trabalho, e chegou a 96.168 funcionários. Apenas nos últimos 3 meses o banco reduziu 399 postos de trabalho. Além da redução do quadro funcional, de junho de 2018 a junho de 2019 houve uma redução do número de agências, com 48 unidades a menos no período.
Créditos tributários
A utilização de créditos tributários por parte do Banco do Brasil também contribuiu para melhorar o resultado, já que nesse semestre o banco gastou R$ 1,6 bilhão a menos com tributação sobre o lucro.
O resultado teve um impacto significativo em decorrência do aumento de 24,4% no resultado de intermediação financeira, que cresceu em função da redução de 87% nas despesas com operações de empréstimos, cessões e repasses, sob influência da redução de despesas com recursos captados no exterior e de provisão para devedores duvidosos, que caíram 11,6%.
Tarifas X empregos
As receitas de tarifas e prestação de serviços tiveram alta de 6,6%, chegando a R$ 14,2 bilhões no semestre, o que permite ao banco cobrir 126% do total de suas despesas de pessoal, incluindo os valores da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR).
“Não há justificativa para a promoção do desmonte que está sendo feito no BB. O lucro do banco permite ampliar as contratações, melhorar as condições de trabalho e o atendimento ao público, mas a política de gestão aplicada pelo governo vai no sentido contrário”, saliente a diretora Goreti Barone.
Carteira de crédito
A carteira de crédito totalizou R$ 686,6 bilhões, queda de 0,4% em relação a junho de 2018.
A carteira pessoa física cresceu 7,8% em relação a junho de 2018 (+R$ 14,7 bilhões), fruto do desempenho positivo em crédito consignado (+R$ 6 bilhões), em empréstimo pessoal (+R$ 4,8 bilhões) e financiamento imobiliário (+R$ 2,5 bilhões).
Com informações da Contraf






