Empregados do Banco do Brasil com funções gerenciais, em especial os Gerentes Gerais, têm se queixado das condições de trabalho e do volume de cobrança para o cumprimento de metas. Segundo denúncias recebidas pelo Sindicato, a pressão está insustentável.
“A cobrança de metas é um problema recorrente, mas o diferencial agora é a intensidade. Os gestores relatam várias reuniões por audioconferência e cobrança permanente nos grupos de celular, onde os trabalhadores estão sendo convocados a publicar os seus resultados. Isso gera constrangimento e configura uma forma de ranqueamento disfarçado, uma prática que é vetada pela nossa Convenção Coletiva. Além de cobrados, os trabalhadores estão sendo expostos”, explica a diretora do Sindicato Goretti Barone.
Os trabalhadores da Superintendência também questionam o volume e a intensidade de pedidos feitos ao longo do dia. “Fomos informados de uma demanda grande sobre os assessores da Superintendência Estadual e estamos acompanhando”, registra Goretti.
A diretora lembra que o combate ao assédio moral nos bancos é difícil por se tratar de uma prática institucional, ou seja, a cobrança é parte do modelo de gestão e acontece em praticamente todos os níveis hierárquicos, de formas distintas. O tema é pauta permanente do Sindicato nas reuniões com a GEPES (Gestão de Pessoas), mas para um enfrentamento mais efetivo, é importante que os trabalhadores colaborem com as denúncias, documentando as formas de cobrança abusiva que vivenciam.
“Os diretores do Sindicato estão sempre passando nas agências e abertos ao diálogo com os funcionários. Também mantemos no nosso site um canal de denúncias on-line, onde os bancários podem fazer registros anônimos. O importante é que as denúncias estejam bem embasadas, para que a gente possa apurar e sustentar uma intervenção mais efetiva”, completa Goretti.
Nacionalmente, a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) também está monitorando a situação de assédio. O mais novo instrumento adotado pelo banco é a cobrança de planilhas de resultados, além de reuniões virtuais várias vezes ao dia e em horários além do expediente.
O coordenador da CEBB, João Fukunaga, alertou que “a gestão pelo assédio”, com base em metas cada vez mais abusivas e inatingíveis, impacta diretamente a saúde de todos os bancários, não só dos gerentes gerais. “Todos acabam sendo submetidos às mesmas pressões”, explicou. “A direção do BB precisa esclarecer a razão de estar acontecendo esse tipo de cobrança, várias vezes ao dia, e por que essa obrigação de uma planilha, além dos mecanismos de acompanhamento de funções que já existem na empresa”, completou.
Vale destacar que o quadro de assédio no Banco do Brasil também é reflexo do enxugamento da estrutura e do corpo funcional do banco, que nos últimos quatro anos teve 10.500 trabalhadores desligados e 1500 agências fechadas. “É uma conta que não fecha. Temos mais trabalho, porque as metas só aumentam, concentrado em um número cada vez menor de trabalhadores. Por isso nossa lutra por melhores condições de trabalho passa também pelo fortalecimento do BB público, com outro modelo de gestão, que não esteja pautado apenas pela lógica de mercado”, conclui a diretora Goretti Barone.
Com informações da Contraf







