Carlão (2º da dir./esq.) disse que a proposta da Fenaban é indecente e desrespeita a categoria (fotos: Contraf)

A rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), iniciada ontem (20) e retomada nesta quarta-feira (21), causou indignação entre os representantes dos bancários. Os bancos apresentaram uma proposta indecente: 85% da inflação (INPC) do período, o que resultaria numa perda salarial de 0,57% na remuneração da categoria, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “A proposta dos bancos é um acinte. Estamos reivindicando a reposição da inflação mais um aumento real de 5% e os bancos vêm com uma proposta rebaixada. Não poderiam ouvir outra resposta que um não sonoro”, resumiu Carlos Pereira de Araújo (Carlão), dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e integrante do Comando.

O Comando reafirmou à Fenaban que recusará qualquer proposta que não contemple um aumento real sobre os salários, vale refeição/alimentação e todas as verbas remuneratórias. A representação dos empregados enfatizou que a proposta rebaixada é um desrespeito à categoria, sobretudo ante o lucro dos bancos, que seguem em escala exponencial. Em 2023, os grandes bancos brasileiros registraram R$ 145 bilhões de lucro. “Quando olhamos para esse lucro sem precedentes, a impressão que temos é que a proposta dos bancos é uma provocação”, desabafou Carlão. Segundo o Dieese, o reajuste de 85% do INPC está entre as piores propostas do universo de quase 9 mil registradas em 2024. 

Desculpa esfarrapada
Para tentar justificar a proposta indecente, a Fenaban tentou empurrar a culpa para cima dos bancos menores, que não teriam como arcar com um aumento real sobre os salários. Alegaram que os bancos representam apenas 10% das instituições financeiras do país. O Comando rebateu, apontando que os grandes bancos são donos de outras empresas do sistema financeiro. Matéria publicada no jornal Valor Econômico, nesta quarta (21), aponta que, na lista dos 10 maiores lucros no 2º trimestre, sete empresas são do setor financeiro, sendo cinco delas bancos: Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e BTG.

Na avaliação de Carlão, a intransigência dos bancos na mesa de negociações vai naturalmente levando a categoria para uma greve. “É fundamental agora que a categoria se mantenha mobilizada e engajada na luta. As ações de rua e virtuais não podem parar. Vamos seguir com a mobilização firme em todo o país”, afirmou Carlão.

O Comando Nacional aprovou um dia nacional de mobilização, na segunda-feira (26), com paralisação parcial nos locais de trabalho e uso de roupas pretas. Também serão realizadas uma série de plenárias e lives na próxima semana, para reforçar a organização da categoria.

A mesa de negociações com a Fenaban será retomada na próxima terça-feira (27) e deverá permanecer ativa até a sexta-feira (30). “Vamos ver como serão as negociações na semana que vem. Se não houver avanços, a categoria irá dar a resposta que a Fenaban merece. A nossa unidade é a nossa força e a nossa união. Vamos juntos!”, conclamou Carlão.