Neste ano, o Brasil deve cair da 9ª maior para a 12ª posição. O cenário econômico não é mesmo o dos melhores: diversos setores da economia em queda, desemprego em alta, aumento da pobreza e queda brusca na renda das famílias. Mas nos bancos, essa profunda crise não chega nem a ser uma marola. Nos nove primeiros meses do ano, os três maiores bancos privados no Brasil alcançaram lucro de mais de R$ 35,6 bilhões. Apesar da alta rentabilidade, mais de 12 mil bancários e bancárias foram demitidos e os bancos se negam a paralisar a perversa onda de demissão que iniciaram em plena pandemia.
Ocupando o topos das instituições financeiras mais lucrativas no Brasil, o Itaú lucrou R$ 13,148 bilhões nos nove primeiros meses do ano. A redução foi de 37,6% em relação ao mesmo período de 2019, mas o aumento das provisões, que teve alta de 74,8%, esconde um lucro ainda maior. O aumento brusco das provisões para cobrir dívidas duvidosas (PDD) se deu sem embasamento evidente, uma vez que houve queda no índice de inadimplência, que está em apenas 2,6%.
Demissões em alta
Apesar do alto lucro e de ter assumido o compromisso de não demitir empregados durante a pandemia, o Itaú segue demitindo trabalhadores. Apenas na área de veículo foram 130 demissões e, nos últimos três meses, 71 postos de trabalho foram fechados. Mas o número de demissões deve ser ainda maior, uma vez que os trabalhadores da ZUP (1.448 empregados, empresa de tecnologia adquirida em outubro de 2019) foram incluídos no quadro de pessoal do banco. Em doze meses, o banco fechou 203 agências, sendo 28 delas também no último trimestre.
Somente com o que arrecadou com as tarifas bancárias e de prestação de serviços o Itaú pagou todas as despesas de pessoal e ainda ficou com 63% do valor arrecado. Em nove meses, o banco lucrou R$ 29,1 bilhões e gastou R$ 17,9 bilhões com as despesas dos empregados.
Bradesco
O segundo banco privado que mais lucrou foi o Bradesco. De janeiro a setembro, o banco alcançou Lucro Líquido Recorrente de R$ 12,657 bilhões, crescimento de 29,9% em comparação ao 2º trimestre de 2020. O banco teve uma rentabilidade (retorno sobre o Patrimônio Líquido médio anualizado – ROE) de 12,9%. Os dados fazem parte da análise feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a partir do relatório de balanço do banco sobre os resultados terceiro trimestre.
Mesmo após também ter firmado compromisso de manter empregos durante a pandemia e da reivindicação das entidades sindicais para que o banco paralise as demissões, o Bradesco, além de negar o pedido, reafirmou a continuidade do desligamento de empregados até o final do ano. Conforme levantamento da Comissão de Organização dos Empregados (COE), em 2020 ocorreram 1.500 demissões. Entre o final de março e setembro, o banco fechou 1.300 postos de trabalho e 605 agências. O Espírito Santo somou 31 demissões nas quatro primeiras semanas de outubro. Em 12 meses, a redução foi de 3.338 postos de trabalho.
Santander
O Santander, que lucra mais no Brasil do que em qualquer outro lugar do mundo, obteve nos nove primeiros meses do ano lucro de R$ 9,9 bilhões. Mesmo com os cofres cheios, o Santander acelerou o ritmo das demissões e deixou 2.045 bancários e bancárias desempregados entre o início de abril e o fim de setembro deste ano, em plena maior crise sanitária que o mundo atravessa nos últimos cem anos. O banco também havia assumido o compromisso de não demitir durante a pandemia da covid-19.
O lucro do banco também seria maior se não fosse o aumento das despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD), que subiram 39,2% e somaram R$ 13,5 bilhões. O banco também fechou 4.335 postos de trabalho em doze meses.
Para o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), as demissões escancaram a face perversa dos bancos privados.
“Os bancos privados têm investido massivamente em propagandas em que se colocam como instituições solidárias, que se importam com a grave crise econômica e social que os brasileiros enfrentam. Mas eles são responsáveis pelo agravamento desse cenário de crise. Da população, cobram altas taxas de juros. Para os empregados, mantém uma gestão opressora com cobrança de metas, assédio moral, que têm levado bancários ao adoecimento, e uma política perversa de demissão, que já jogou milhares de trabalhadores na fila do desemprego. Estamos lutando para que os bancários sejam respeitados e as demissões encerradas”, enfatiza Carlão.






