Em reunião com o Comando Nacional nesta terça-feira, 18, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou proposta indecente de alteração do modelo de pagamento da PLR que pode reduzir o benefício em até 48%. A proposta foi duramente criticada pelo Comando Nacional e rejeitada ainda na mesa de negociação.
“É um absurdo. Reafirmamos que vamos preparar a categoria para a greve caso os bancos insistam na pauta recessiva com retirada de direitos. A postura da Fenaban mostra que governo e bancos privados estão blocados para impor à categoria reajuste zero e ainda solapar conquistas históricas dos bancários. Temos que apostar na nossa mobilização para resistir à ameaça patronal. Nossa greve precisa começar a ser construída desde já”, afirma o diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional da categoria.
Com a queda do lucro líquido dos bancos, a PLR dos bancários já teria uma redução de até 25%. A proposta da Fenaban faz essa redução chegar a até 48% (veja abaixo a tabela com as reduções da PLR por faixas salariais nos três maiores bancos privados).
Reduções na PLR
A proposta da Fenaban reduz de 7,2% para 7% o limite mínimo de distribuição do lucro líquido no primeiro semestre em exercício. As reduções não param. A antecipação atual é de 54% do salário, mais fixo de R$ 1,474,38, com limite individual de R$ 7.909,30. Na proposta dos bancos, ficaria em 43,2% do salário, mais fixo de R$ 1.179,50, com limite individual de R$ 6.327,44.
A regra básica da PLR anual tem atualmente 90% do salário mais fixo de R$ 2.457,29, com limite individual de R$ 13.182,18. Pela proposta da Fenaban, cairia para 72% do salário mais fixo de R$ 1.965,50, com limite individual de R$ 10.545,74.
Outras perdas também foram apresentadas na reunião. O percentual da parcela adicional, por exemplo, retornaria ao patamar de 2012. Os valores fixos teriam redução de 20%, retornando ao patamar entre 2014 e 2015. O acelerador da regra básica retornaria ao patamar de 2007.
A Fenaban também faz ajustes na redação na base de cálculo para o salário base acrescido das verbas fixas de natureza salarial. A mudança afeta bancárias de vários estados onde os bancos pagam gratificação semestral. Nesses estados, as perdas chegariam perto de 50%.
Reunião terminou sem proposta global
Além de surpreenderem com a proposta de redução da PLR, os bancos se recusaram a apresentar nesta rodada – a sétima do calendário de negociações – uma proposta global para as reivindicações de emprego, saúde e condições de trabalho, reajuste salarial, regulamentação do teletrabalho, entre outras que integram a minuta da categoria.
“Cobramos na última reunião que a Fenaban apresentasse hoje uma proposta global. Nossa data-base é no próximo dia 1º, e já que eles não aceitam estender a validade da Convenção Coletiva, o mínimo que se espera é que as negociações avancem com mais celeridade para que a categoria tenha condições de avaliar um possível acordo e se organizar. Mais uma vez, a postura dos bancos foi de desrespeito”, critica Carlão.
O dirigente reforça o pedido para que a categoria acompanhe o processo de negociação e amplie a atuação nas redes sociais para pressionar os bancos. A próxima rodada acontece na quinta-feira, 20. Acompanhe no site e redes do Sindicato os chamados para mobilização.
Tabela das reduções da PLR pela proposta da Fenaban por faixas salariais no Bradesco, Itaú e Santander)
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Atualizado às 18h. Com informações da Contraf




