O Banestes anunciou nesta quinta-feira, 10, que registrou lucro líquido de R$ 185 milhões no primeiro semestre deste ano. O resultado, que é recorde, supera a marca de R$ 182 milhões alcançada no mesmo período de 2022. O lucro líquido do segundo trimestre foi de R$ 115 milhões, 62,5% maior em relação ao primeiro trimestre do ano e 13,8% em comparação ao segundo trimestre de 2022. “Nos últimos anos o Banestes vem quebrando recorde em cima de recorde. Se as finanças vão bem, o governo do Estado e a direção do Banestes deveriam agradecer primeiramente aos funcionários e às funcionárias, responsáveis diretos pelos excelentes resultados. Mas, lamentavelmente, não há reconhecimento por parte da instituição. Pautas prioritárias como a adoção de uma plano de carreiras e os gargalos da Banescaixa seguem sendo ignoradas pelo banco”, critica Jonas Freire, secretário-geral do Sindicato dos Bancários/ES. 

Jonas lembra que essas duas demandas foram aprovadas no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2022-2024. No Acordo, segundo o dirigente, está prevista a instalação de um Grupo de Trabalho (GT) com representantes do banco e dos funcionários. “O GT tem o propósito de buscar soluções para o nosso plano de saúde. Desde o início do ano o Sindicato vem cobrando do banco a instalação do GT, mas até agora, nada. E são questões urgentes”. 

Em relação à Banescaixa, Jonas informa que mais da metade dos aposentados já deixou o plano porque não consegue pagar a mensalidade. “O Banestes cobra valores bem acima da média de mercado, ou seja, não há interesse da instituição em buscar uma alternativa viável para manter o trabalhador no plano, sobretudo os aposentados. É sobre essa e outras questões que envolvem o plano de saúde que queremos conversar, mas a direção do Banestes insiste em não cumprir os compromissos firmados no ACT”, afirma o dirigente, que aponta a construção de um plano de carreira como outra pauta prioritária dos banestianos. 

Lucro vira investimento
O resultado semestral recorde do Banestes permitiu que o banco repassasse ao Estado, em forma de dividendos, R$ 69 dos R$ 74 milhões distribuídos em lucro aos acionistas. Jonas destaca a importância do banco público para o Espírito Santo. “Não é à toa que o Sindicato, como coordenador do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, vem lutando há décadas para manter o banco público. Ele diz que foram várias as tentativas para vender o Banestes. “Se esse lucro retorna hoje em investimentos nas áreas de saúde, educação e outras políticas sociais é porque o Comitê lutou e continua lutando para evitar a venda do Banestes e de seus ativos. Se o Banestes tivesse sido vendido, esse lucro iria direto para os bolsos dos acionistas. A importância dos bancos públicos para o desenvolvimento socioeconômico do Estado é inquestionável”, assinala Jonas.

O dirigente destaca também que os resultados positivos do banco se devem à relação da população com a instituição. “O capixaba confia no banco e faz questão de manter sua conta no Banestes porque sabe que está investindo seu dinheiro no banco que pertence à população. O banco não é do governador ou do presidente da instituição. Eles passam e o Banestes fica. Quem faz o Banestes forte são seus funcionários e cada um dos 1,4 milhão de capixabas clientes do banco”, enfatiza Jonas. 

Outros números do Banestes
A carteira de crédito ampliada registrou saldo de R$ 12,2 bilhões, crescimento de 13,8% em doze meses e de 2,8% contra a posição de março. No mesmo período, a carteira de crédito comercial atingiu R$ 8,8 bilhões, expansões de 24,9% em 12 meses e de 6,6% contra o trimestre anterior.

O Índice de Inadimplência (maior que 90 dias) da carteira de crédito comercial atingiu 2,7%. Inferior à Inadimplência do Sistema Financeiro Nacional e menor que a dos seus pares de mercado. A recuperação de créditos transferidos para prejuízo alcançou R$ 10 milhões no segundo trimestre e acumulou 20 milhões no semestre de 2023. Esse resultado é atribuído ao sucesso das estratégias constantemente inovadas, com destaque principal ao Feirão Zera Dívida Banestes.