Nesta quarta-feira (10), ao final da segunda rodada de negociações com o Banestes, que abordou os temas Plano de Cargos e Salários e Banescaixa, o Sindicato pediu ao banco uma reunião extra mesa da Campanha Salarial 2024 para discutir a decisão abrupta do banco de convocar todos os bancários em home office para o trabalho presencial a partir do dia 1º de agosto. 

O dirigente Jonas Freire explicou aos representantes do Banestes que o Sindicato convocou às pressas uma plenária para discutir a questão. “A plenária de ontem (09) foi bastante representativa, com uma boa participação das banestianas e banestianos. A categoria está bastante apreensiva com a decisão tomada de maneira açodada pelo banco”. Ao final da plenária, afirmou Jonas, por decisão unânime, os trabalhadores fecharam com a proposta de adiar o retorno presencial por no mínimo seis meses. “É essa proposta de adiar o retorno que estamos trazendo para discutir com o banco. Nesse período queremos construir com o Banestes alternativas para manter o home office”, enfatizou. 

O gerente-geral de Recursos Humanos do Banestes, Alexandre Carlquist, concordou em agendar uma reunião à parte da mesa de negociações para discutir o home office o mais breve possível. Carlquist explicou que o banco decidiu pelo retorno porque os funcionários em home office não estariam atendendo aos telefonemas dos colegas das agências. A dirigente do Sindicato Vanessa Espíndola, que também está na mesa de negociações, rebateu o argumento. “Casos pontuais sempre vão ocorrer. Se há problema com o atendimento às demandas das agências, é uma questão de gestão que não se soluciona simplesmente encerrando o home office”. 

O dirigente Marcelo Giacomin, que também integra a comissão de negociação que representa os empregados do Banestes, criticou a volta abrupta ao trabalho presencial. “Desde o anúncio do banco, temos recebido muitas reclamações dos bancários, que se mostraram insatisfeitos. Eles se dizem surpreendidos com a decisão do banco”. Ele também destacou que o banco hoje não tem estrutura para receber de uma hora para outra todos os funcionários que estão em teletrabalho. 

Jonas completou: “É preciso rever a estrutura. Isso demanda tempo. O Palas Center, por exemplo, mesmo sem a volta dos que estão em home office, já enfrenta dificuldades para acomodar dignamente os trabalhadores atuais”. O dirigente ponderou ainda que muitos bancários que aderiram ao home office mudaram completamente suas dinâmicas diárias. “Os dirigentes do Banestes precisam entender que não se muda essas questões que afetam a vida dos banestianos e de seus familiares da noite para o dia. É uma readaptação que exige tempo, do mesmo jeito que foi difícil para o bancário se adaptar ao home office O mais sensato, repito, é adiar o retorno por seis meses para discutirmos com o banco modelos alternativos. Acho que o home office híbrido é viável. É questão de amadurecermos a ideia e avançarmos na discussão”, concluiu Jonas.