A edição de fevereiro de 2019 do Diário Oficial do Estado (DIO-ES) estampava a seguinte manchete: “Banestes alcança maior lucro líquido da história”, em referência ao lucro de R$ 181 milhões registrado pelo banco público e estadual no ano de 2018. Nesta terça-feira, 9, o Banestes anunciou lucro líquido de R$ 182 milhões no primeiro semestre de 2022, ou seja, o banco precisou de apenas seis meses para quebrar um recorde histórico conquistado ao longo de um ano. A direção do banco atribuiu o resultado extraordinário às maiores receitas com títulos e valores mobiliários (+292,5% em 12 meses e +30,0% em 3 meses), ao avanço das receitas de crédito (+47,7% em 12 meses e +15,2% em 3 meses), à recuperação gradativa das receitas com serviços (+7,8% em 12 meses e +5,9% em 3 meses) e ao maior resultado com operações de seguros (+252,0% em 12 meses e +23,7% em 3 meses).
O resultado retumbante do semestre não surpreende. De 2019 para cá, o Banestes vem batendo recorde de lucro ano a ano. Registrou R$ 214 milhões, em 2019; R$ 232 milhões, em 2020; e R$ 251 milhões, no ano passado. “É importante enfatizar que os resultados positivos acumulados nos últimos anos nada têm a ver com os movimentos que a direção do Banestes e o governo do Estado têm feito para privatizar o banco e suas subsidiárias”, pondera o diretor do Sindicato dos Bancários/ES Jonas Freire.
Jonas chama a atenção para o fato de o presidente da instituição, Amarildo Casagrande, durante a apresentação dos resultados, nesta terça-feira, ter enaltecido as parcerias com o setor privado como a causa do sucesso. “(…) demos passos relevantes na inserção do banco no ecossistema de inovação, a partir de conexões com startups e fintechs; anunciamos o projeto do nosso banco digital, destacou Amarildo”. Para Jonas, o presidente do Banestes vem tentando convencer a sociedade de que as parcerias que estão sendo articuladas com setor privado, especialmente na área de tecnologia, já começam a trazer resultados positivos para o banco.
“Isso não é verdade. O Banestes é um banco sólido, presente em todos os 78 municípios, que vem acumulando resultados positivos nos últimos anos. Uma instituição na qual o capixaba confia. Qual empresa privada não gostaria de associar a uma marca tão forte como a do Banestes? Não por acaso, os ativos do banco e de suas subsidiárias estão na mira de instituições financeiras interessadas em ampliar seus negócios. Não é coincidência tampouco que o Banestes, ao lado do Banrisul, BanPará, Banco de Brasília e Banco de Sergipe – últimos sobreviventes do tsunami privatista que varreu os bancos públicos estaduais a partir dos anos 1990 – sofra assédio do setor privado. Um banco que praticamente dobrou seu lucro em pouco mais de três anos, logicamente entra no radar do mercado”, alerta Jonas.
Ele destaca ainda que a privatização disfarçada do Banestes e de suas subsidiárias ganhou força com a Lei 11.617, de maio de 2022. A nova lei abre o caminho para o banco adquirir participações em sociedades, especialmente de tecnologia, startups ou fintechs, nacionais ou estrangeiras, bem como criar subsidiárias. “A lei dá um cheque em branco para o governador Renato Casagrande negociar com o mercado o patrimônio do banco. Além da medida representar uma ameaça real aos empregos dos banestianos, poderá trazer prejuízos incalculáveis para a população capixaba”.
O dirigente adverte que desse lucro de R$ 182 milhões, quase um terço, R$ 58 milhões, retorna à sociedade capixaba em forma de projetos e investimentos sociais. “Isso só é possível porque o governo do Estado detém 92% das ações do banco. Na condição de acionista-controlador, esse dividendo retorna à sociedade capixaba. Caso o governo Casagrande ponha em prática o projeto de privatizar o banco e de suas subsidiárias, esses dividendos não irão mais voltar à população. Esse lucro irá para o bolso dos novos acionistas. Não é isso que os bancários e a população capixaba querem para o Banestes. Vamos continuar lutando para manter o Banestes público e estadual”, reforça Jonas.

