O lucro líquido de R$ 139 milhões do Banestes no 2º trimestre (2T25) compensou com folga os R$ 55 milhões apurados no 1º trimestre do ano (1T25). Em percentual representa um salto da ordem de 153% em relação ao trimestre passado e de 39% no comparativo com o 2T24. O banco fechou o semestre com R$ 194 milhões, lucro 15% superior ao mesmo período do ano passado, apontando para um novo resultado recorde em 2025. 

O dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Marcelo Giacomin adverte que o lucro recorde para um único trimestre foi conquistado à custa da sobrecarga de trabalho imposta aos empregados e às empregadas do Banestes. “Se de uma lado o banco comemora o resultado, o Sindicato chama a atenção para o adoecimento da categoria. É sempre importante lembrar que os bancários estão entre as categorias que mais adoecem. No Banestes não é diferente, as pesquisas científicas confirmam a escalada do adoecimento”.  

O dirigente se refere à pesquisa “Nossa Saúde Importa”, realizada no ano passado com a categoria bancária capixaba, resultado de uma parceria do Sindicato com o Departamento de Psicologia Social da Universidade Federal dos Espírito Santo (Ufes). Segundo o estudo, dos afastamentos dos banestianos por motivo de saúde, 28,8% estavam diretamente relacionados a transtornos mentais e comportamentais, como depressão e ansiedade. “É para esses números que temos que olhar. Daqui a uns meses, esse lucro recorde se converte em novos casos de adoecimento mental”, alerta Giacomin, que acrescenta: “Mas o banco parece não estar preocupado com a saúde dos seus trabalhadores e trabalhadoras”. 

Banestes não repôs PDV
O dirigente aponta que o último PDV desligou 127 empregados, mas o banco só convocou até agora 56 candidatos aprovados no concurso. Ele lembra que o lucro caiu no primeiro trimestre justamente em função dos gastos com o PDV. Entre o primeiro e o segundo trimestre as despesas com pessoal caíram R$ 22 milhões. “O Banestes postergou a convocação provavelmente com o intuito de reduzir as despesas de pessoal e melhorar os resultados do segundo trimestre”, analisa Giacomin. 

Desses 56 convocados, 50 foram chamados apenas em julho e agosto. “Em relação aos que foram desligados, a defasagem é de 71 empregados. Reafirmo, para atingir um resultado recorde para um trimestre, com quadros defasados em agências e departamentos, o chicote da meta cantou alto”, afirma o dirigente.

Enquanto o número de empregados segue defasado, a base de clientes cresce. São 1,4 milhão de clientes, o que representa mais de 63% da população economicamente ativa do Estado, com cerca de 1,7 milhão de contas. Desse total, 1 milhão são contas-correntes e mais de 650 mil são contas de poupança.

Seguradora
Outro aspecto do primeiro semestre que chama atenção são os resultados estagnados da Banestes Seguros e o crescimento do lucro da corretora. A corretora fechou o semestre com R$ 22 milhões contra R$ 18 milhões da seguradora. “Aqui fica patente o processo de desmonte da seguradora pelo presidente do Banestes, Amarildo Casagrande. Historicamente, o lucro da seguradora sempre superou o da corretora”. 

A partir de 2021, Amarildo iniciou o processo de privatização da seguradora. Em 2023, anunciou parceria com a Zurich Seguros, que passou a vender produtos no balcão do Banestes em concorrência direta com a seguradora da casa. Em 2024, a espanhola Mapfre também passou a operar fortemente no balcão do banco capixaba. A ação agressiva das duas gigantes mundiais da área de seguros tem afetado as vendas da Banestes Seguros. A corretora, que comercializa produtos de todas as seguradoras, por determinação da direção do Banestes, tem promovido campanhas em conjunto com a Mapfre e Zurich para vender os mesmos produtos que a Banestes Seguros oferece. “É uma concorrência agressiva e desleal para favorecer as empresas de fora e encolher os resultados da nossa seguradora. É cada vez mais explícita a intenção do Amarildo de entregar a Banestes Seguros integralmente para a iniciativa privada”, critica Giacomin.

Outros números do Banestes
O faturamento no trimestre do Banestes totalizou R$ 1,5 bilhão (+12,5% em 12 meses e +7,1% em 3 meses), enquanto no acumulado do semestre atingiu R$ 2,9 bilhões, um crescimento de 7,3% em comparação ao mesmo período de 2024. A Margem Financeira Líquida superou a projeção e alcançou R$ 660 milhões no primeiro semestre (+15,4% em 12 meses). Na mesma comparação, o Resultado Operacional atingiu R$ 290 milhões (+16,6% em 12 meses); o Índice de Eficiência Operacional foi de 53,0% e a Eficiência Operacional Ajustada ao Risco atingiu 58,1%.