Fotos: Sérgio Cardoso

Bancários e bancárias do Banestes definiram nesta sexta-feira, 03, a sua pauta de reivindicações para a Campanha Nacional 2024. São prioridades o plano de carreira, a Banescaixa, a defesa da saúde do trabalhador, o combate às metas e a manutenção do Banestes público e estadual. O evento acontece no Hotel Flamboyant, em Guarapari, e é parte da Conferência Estadual que vai até domingo, 5.

“Esse é um ano de renovação da Convenção Coletiva e dos acordos específicos. Buscaremos conquistas na pauta salarial e avanços na saúde e condições de trabalho, dando vazão a reivindicações históricas represadas. Fortaleceremos a Primavera Banestiana, com uma pauta enriquecida pelas contribuições que tivemos hoje”, afirma a diretora do Sindicato Vanessa Espíndula.

Jonas Freire, também dirigente sindical, fez um balanço das últimas negociações e destacou a dificuldade de destravar o diálogo com a direção do banco e o governo Renato Casagrande. “A negociação estanca. Na pauta salarial, o banco não assume a sua autonomia de propor e negociar em paralelo à Fenaban, ignora que nossas perdas são maiores e adota convenientemente o índice nacional para não negociar essa defasagem; além disso, não se dispõe a discutir outras particularidades, como a contribuição patronal no plano de saúde e a carreira, pontos igualmente importantes para os empregados”, critica.

Banestes público e estadual

A defesa do Banestes público e estadual segue sendo central para os banestianos. “Enfrentamos ameaças de privatização desde o governo de José Ignácio, passando por Paulo Hartung e Casagrande. A forma mudou, mas o prejuízo é o mesmo. A venda de ativos e a constituição de parcerias privadas pouco transparentes ameaçam o patrimônio do banco. O setor privado vai comendo pela beirada e, se deixarmos, em breve terá levado tudo”, afirmou Jonas.

O diretor mencionou a aprovação de projetos de lei que fortalecem as medidas privatistas do Governo, como a Lei 11.617, de 2022, que autorizou o Banestes a adquirir participações em sociedade e criar subsidiárias controladas direta ou indiretamente, e a Lei Complementar 70/2023, que regulamenta a loteria no Estado e prevê que o serviço seja gerido a partir de uma subsidiária do Banestes em parceria com a iniciativa privada.

“Eles operam sorrateiramente, votam projetos na calada da noite e sem debate público. Temos que seguir atentos e mobilizados. O Banestes é um banco essencial para os capixabas e só continua público pela nossa resistência”, completa.

Saúde e condições de trabalho

O debate sobre saúde e condições de trabalho foi marcado por depoimentos emocionados de bancários compartilhando duros casos de adoecimento e a sua luta para se restabelecer. As metas foram criticadas como fator de adoecimento, e o Sindicato apresentou ações para fortalecer a intervenção da entidade na campanha salarial.

“O Sindicato está fazendo uma pesquisa em parceria com o departamento de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo, com o intuito de fundamentar o debate sobre saúde e condições de trabalho. Vamos levar esses dados, com todo o aparato científico, para mesa de negociação. Precisamos enfrentar esse sofrimento, e nossa estratégia passa por uma defesa integral do Banestes como banco público, que cumpra o seu dever social e respeite os empregados, garantindo saúde e condições de trabalho adequadas”, disse Jonas.

REV

Diante da surpreendente redução da REV (remuneração estratégica variável) paga em fevereiro, os banestianos lutarão por um acordo que garanta mecanismos mais transparentes e coerentes de distribuição. “Mesmo em ano de lucro recorde, recebemos uma REV menor que a anterior. Se o lucro avançou, a REV precisa avançar. Não podemos ficar reféns de uma meta imposta pela direção do banco, que não pode sequer ser mensurada ou avaliada. Os empregados constroem o resultado do Banestes e merecem uma regra transparente e segura. Vale pontuar ainda que nossa luta pela valorização passa por direitos mais consistentes, como plano de carreira, aumento real, anuênio, propostas que não estejam vinculadas às metas do banco que nos adoecem cotidianamente” sublinha o dirigente sindical Marcelo Pimentel.

Banescaixa

Em relação à Banescaixa, os bancários reforçaram a necessidade de engajamento para quebrar a intransigência do banco nas negociações. “Trabalhamos essa pauta na Primavera Banestiana, mas seguimos sem respostas concretas. Agora precisamos desse engajamento, não só dos aposentados. O plano de saúde é uma pauta que interessa a todos”, disse a diretora Vanessa Espíndula, convocando especialmente os bancários mais jovens para se somarem nessa luta.

Vanessa resgatou que na última reunião com o banco, a comissão coordenada pelo Sindicato levou uma consultoria especializada para contribuir com uma avaliação técnica do plano, mas o negou o fornecimento de dados essenciais para esse estudo. “Agora cobramos uma nova agenda e temos que ampliar esse diálogo”, completou.

Atuação no Conselho de Administração

Durante a manhã, o representante dos empregados no Conselho de Administração do Banestes, Danilo Bicalho, reeleito para um novo mandato em março, apresentou um balanço da gestão e apontou os desafios do próximo período. Como êxitos, citou o destravamento da REV e a inclusão do plano de carreira na pauta do Conselho.

“Não é simples elaborar esse plano, temos muitas distorções. Vamos brigar para corrigi-las e valorizar os empregados, atuando por dentro do Conselho em busca de melhorias”. O conselheiro informou que já há uma proposta em elaboração pelo conselho, com apoio de uma consultoria.

Sobre a gestão de pessoas, destacou: “por mais que isso não seja tarefa prioritária do conselheiro representante, a estratégia da empresa pode ficar comprometida se não tivermos os olhos abertos para as pessoas, garantindo perspectiva de crescimento. Por isso propusemos criar um grupo estratégico (GT), com três membros do Conselho, que atuará junto à Diretoria de Administração e ao Conselho de Gestão acompanhando questões como a capacitação de profissionais, a seleção interna e a carreira”. Segundo Danilo, o GT já foi aprovado e terá duração determinada.

Danilo também se comprometeu a melhorar a comunicação com os bancários, repassando informes periódicos de sua atuação.

Fundação Banestes

O diretor de Seguridade da Baneses, Ricardo Gobbi, falou sobre os desafios da aposentadoria para os banestianos. Ele explicou o funcionamento dos mecanismos atuariais e as estratégias para alcançar a sustentabilidade financeira da Fundação. Os bancários debateram a necessidade de rever as regras de equacionamento do Plano 1 e de garantir aportes do banco para esse equacionamento. Cobraram ainda a manutenção da contribuição patronal enquanto o empregado permanecer na ativa.

“Temos que cuidar dos nossos aposentados. Muitos bancários contribuem por toda a vida e sofrem uma queda brusca na renda na hora da aposentadoria. Isso impacta a sua qualidade de vida e a manutenção da sua saúde”, destacou Gobbi.