Uma mensagem que está sendo enviada pela Diretoria de Gestão de Pessoas (Dipes) do Banco do Brasil a empregados que estão em licença-interesse tem chamado atenção pelo seu tom ameaçador. O site de notícias Metropoles publicou uma das mensagens (reprodução abaixo). No texto, o banco adverte: “Caso [o empregado] não compareça para posse, suas ausências a partir de 25/11/2019, serão classificadas como ‘falta não abonada não autorizada’, o que poderá incorrer em abandono de emprego, passível de demissão por justa causa (alínea I do artigo 482, da CLT)”.

Para diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Evelyn Flores, independentemente da prerrogativa legal do banco em chamar os empregados, a maneira ameaçadora como o banco faz a convocação é desnecessária e desrespeitosa. “Mais uma vez, o BB age de forma desumanizada, sendo indiferente à gestão de pessoas”, critica Evelyn.
Ela acrescenta que além do desrespeito, a convocação de 2.100 empregados em licença-interesse de uma hora pra outra é contraditória com as medidas que o banco tem adotado para reduzir o número de funcionários. Evelyn afirma que recentemente o BB realizou um Programa de Adequação de Quadros (PAQ), alegando que precisava otimizar setores do banco. “Com esse ajuste, mais de 2.300 empregados saíram do banco em julho último. O BB alegou que os cortes de pessoal representariam uma economia em longo prazo de R$ 490 milhões na folha de pagamento. Mas, de outro lado, tiveram que desembolsar mais de R$ 260 milhões em indenizações trabalhistas. No final das contas, aumentou a sobrecarga de trabalho e o banco continua intransigente ante a possibilidade de realizar novos concursos”, aponta.
Licença-interesse
A licença-interesse é um direito dos bancários, além de uma ferramenta eficaz na área de gestão de pessoas. Permite que o empregado possa se dedicar ao aprimoramento profissional e pessoal em período integral, sem o recebimento de remuneração, e voltar para a empresa com mais qualificação. Para Evelyn, essa convocação teria de ser negociada com empregado de uma maneira respeitosa e não chegar de maneira intimidadora, obrigando o empegado a se apresentar em 30 dias. “Quem solicitou a licença se programou. Fez um projeto de vida. Você simplesmente não pode mandar uma mensagem para a pessoa dizendo: ‘Abandone todos seus projetos e se apresente em 30 dias, senão, o demitiremos’. É preciso respeitar o trabalhador”, finaliza.
Com informações do Metrópoles e Sindicato dos Bancários de Brasília









