BB ameaça com demissão licenciados que não reassumirem postos de trabalho

25/10/2019 17:15

Na mensagem ameaçadora, o banco exige retorno de um funcionário até o próximo dia 22. Caso contrário, adverte que será aberto um processo administrativo por abandono de emprego, passível de demissão por justa causa

Uma mensagem que está sendo enviada pela Diretoria de Gestão de Pessoas (Dipes) do Banco do Brasil a empregados que estão em licença-interesse tem chamado atenção pelo seu tom ameaçador. O site de notícias Metropoles publicou uma das mensagens (reprodução abaixo). No texto, o banco adverte: “Caso [o empregado] não compareça para posse, suas ausências a partir de 25/11/2019, serão classificadas como ‘falta não abonada não autorizada’, o que poderá incorrer em abandono de emprego, passível de demissão por justa causa (alínea I do artigo 482, da CLT)”.

Para diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Evelyn Flores, independentemente da prerrogativa legal do banco em chamar os empregados, a maneira ameaçadora como o banco faz a convocação é desnecessária e desrespeitosa. “Mais uma vez, o BB age de forma desumanizada, sendo indiferente à gestão de pessoas”, critica Evelyn.

Ela acrescenta que além do desrespeito, a convocação de 2.100 empregados em licença-interesse de uma hora pra outra é contraditória com as medidas que o banco tem adotado para reduzir o número de funcionários. Evelyn afirma que recentemente o BB realizou um Programa de Adequação de Quadros (PAQ), alegando que precisava otimizar setores do banco. “Com esse ajuste, mais de 2.300 empregados saíram do banco em julho último. O BB alegou que os cortes de pessoal representariam uma economia em longo prazo de R$ 490 milhões na folha de pagamento. Mas, de outro lado, tiveram que desembolsar mais de R$ 260 milhões em indenizações trabalhistas. No final das contas, aumentou a sobrecarga de trabalho e o banco continua intransigente ante a possibilidade de realizar novos concursos”, aponta.

Licença-interesse

A licença-interesse é um direito dos bancários, além de uma ferramenta eficaz na área de gestão de pessoas. Permite que o empregado possa se dedicar ao aprimoramento profissional e pessoal em período integral, sem o recebimento de remuneração, e voltar para a empresa com mais qualificação. Para Evelyn, essa convocação teria de ser negociada com empregado de uma maneira respeitosa e não chegar de maneira intimidadora, obrigando o empegado a se apresentar em 30 dias. “Quem solicitou a licença se programou. Fez um projeto de vida. Você simplesmente não pode mandar uma mensagem para a pessoa dizendo: ‘Abandone todos seus projetos e se apresente em 30 dias, senão, o demitiremos’. É preciso respeitar o trabalhador”, finaliza.

Com informações do Metrópoles e Sindicato dos Bancários de Brasília