O Banco do Brasil apresentou resultados além do esperado pelo mercado financeiro: recorde de lucro, chegando a R$ 35,6 bilhões em 2023. No quarto trimestre de 2023, o lucro líquido ajustado foi de R$ 9,4 bilhões, aumento de 7,5% na comparação com o trimestre anterior e de 4,8% em relação ao 4T22.
Chama atenção o fato de o Banco do Brasil, um banco público, ostentar o mesmo lucro que um banco privado também recordista, o Itaú. A diretora do Sindibancários Bethânia Emerick assinala a importância do compromisso público do banco, que não está a contento.
“O Banco do Brasil, ao buscar e conseguir superar o lucro dos maiores bancos privados, tem deixado de cumprir sua missão como banco público. É de fundamental importância o debate de questões como as formas como o Sistema Financeiro Nacional, especialmente o Banco do Brasil, devem se inserir em um projeto de desenvolvimento econômico e social, buscando baixar os juros para a sociedade, com distribuição de renda e geração de empregos de qualidade. O espírito público, no meu entender, anda um pouco distante da realidade, apesar de estar estampado em diversos documentos institucionais”, explica a dirigente.
Bethânia destaca que os funcionários do banco precisam ter sua vida melhorada, já que não seria possível tamanho resultado sem o trabalho dos bancários. “Lucros que a cada semestre superam os marcos históricos tem sido alcançados às custas do esgotamento mental dos funcionários e funcionárias, muitos deles trabalhando à base de medicação controlada. O lucro vem subindo, período após período, mas o grau de adoecimento de bancários não diminuiu, pelo contrário só vem aumentando”, lamenta.
O adoecimento da categoria é uma realidade frente a cobrança abusiva de metas, a sobrecarga e a diminuição do quadro de empregados. Enquanto os bancários representam apenas 1% dos trabalhadores com carteira assinada no Brasil, representam quase 25% dos trabalhadores que são afastados por doença. Enquanto isso, bancos acumulam lucros gigantescos. “Além do esgotamento por conta das metas absurdas, que são aumentadas a qualquer momento e com porcentagens escandalosas, a gestão por assédio ainda está muito presente no dia a dia, numa dinâmica que intensifica o sofrimento”, relembra a dirigente.
A dirigente também resgatou um documento entregue por lideranças sindicais à direção do BB e também ao Ministro Fernando Haddad:
“É sintomático observar que até 2016 a Missão do BB contemplava: “promover o desenvolvimento sustentável do Brasil e cumprir sua função pública com eficiência”; e possuía dentre seus objetivos estratégicos: “Reforçaremos nosso papel de dinamizador do desenvolvimento do país, com ênfase na inclusão social e produtiva, urbana e rural”; e em 2017 a Missão foi alterada para “Banco de Mercado com Espírito Público”, e seus objetivos estratégicos passaram a priorizar a rentabilidade, a experiência do cliente e a transformação digital; e por fim, seguindo nessa direção privatizante, a partir de 2019 a Missão deu lugar ao Propósito: “Cuidar do que é valioso para as pessoas”,ficando mantidos os objetivos estratégicos vigentes, acrescido da perspectiva de sustentabilidade.
Então indagamos: a qual preço, a administração “fez desaparecer” os compromissos do BB com a função pública e a promoção do desenvolvimento sustentável do país, em troca de seu novo propósito, e de priorizar a rentabilidade com otimização do capital e a geração de valor para os acionistas?”









