BB e Caixa estão entre as cinco empresas públicas que mais desligaram empregados

24/12/2019 12:31

Nos últimos cinco anos, estatais federais cortaram 71 mil funcionários. Governo Bolsonaro comemora e planeja intensificar cortes nos próximos anos

O governo Bolsonaro comemora como vitória o corte de 71 mil empregados das empresas federais brasileiras nos últimos cinco anos, o que representa uma redução de 12,8% em relação a 2014. Há cinco anos, havia 552.856 funcionários ativos nas estatais. Esse número, até terceira trimestre de 2019, havia caído para 481.850 empregados.

O Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal estão entre as cinco empresas federais que mais desligaram empregados. A Petrobras encabeça a lista, com a redução de 18% ou 10.215 funcionários de 2014 para cá; os Correios estão em segundo, no índice de corte (17,2%), mas são os primeiros em números absolutos: 20.717 desligamentos; a Caixa registrou corte 15.607 empregados (15,5%) no período; e o BB 16.104, ou 14,1%.

Os cortes nas empresas federais começaram a crescer em 2015, ainda sob o governo Dilma (0,5% em relação a 2014); Temer, em 2016, se encarregou aumentou esse índice para 3,4%; depois 5,1%, no ano seguinte; e 1,6% em 2018. Em continuidade à política ultraliberal de Temer, o governo Bolsonaro até o terceiro trimestre já tinha praticamente dobrado a marca de desligamentos de Temer, puxando o índice para 2.9%.

O secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do Ministério da Economia, Fernando Soares, afirma que os cortes são decorrentes de uma política de governo voltada à redução de despesas. “A orientação é que a atividade das estatais seja feita, do ponto de vista pecuniário e da geração de política pública, com os menores custos possíveis”, declarou à imprensa, sem rodeios.

Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), esse tom de comemoração, festejando o desligamento de mais de 71 mil funcionários públicos em um país com quase 13 milhões de desempregados mostra de que lado este governo está. “O governo Bolsonaro está sempre contra o trabalhador e a serviço dos especuladores do mercado, das elites empresariais, dos banqueiros. E para esse segmento que este governo trabalha”, criticou Carlão.

O secretário Fernando Soares, exaltando as medidas que fecham postos de trabalho, disse ainda que a redução do quadro, tendo como carro-chefe o PDV, vai se manter como uma política para os próximos anos. “Vamos continuar. Posso dizer que com certeza o quatro trimestre de 2019 vai ter mais queda e 2020 vai ter mais redução”, comemorou, se referindo aos cortes das empresas públicas.

“Quem esperava que o governo Bolsonaro faria diferente, está confirmando que ele trabalha para os rentistas, especuladores do capital. Cabe as entidades sindicais, a sociedade civil organizada, a classe trabalhadora e a população em geral, enfim, a todos aqueles que estão sendo massacrados por essa política econômica nefasta, nos mobilizarmos contra este governo. O momento é de resistência”, afirmou Carlão.