Não houve avanço na reunião realizada no último dia 13 entre os representantes do Banco do Brasil e a Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB). Duas pautas centralizaram as discussões: o pedido de revogação do programa Performa e a proposta de um Plano de Cargos e Salários (PCS). Os membros da CEBB criticaram a morosidade do banco em apresentar respostas a essas duas questões que fazem parte da minuta de reivindicações aprovada pelos trabalhadores e entregue ao banco durante a Campanha Salarial de 2022.

Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone, o banco não está dando a devida atenção às reivindicações dos trabalhadores. “Quando se vai para uma mesa de negociação e se percebe que o outro lado está embromando apenas para ganhar tempo, a sensação é de que essa relação não está sendo respeitosa. É preciso lembrar que a discussão sobre o Performa e o Plano de Cargos e Salários é uma reivindicação legítima dos trabalhadores. Essa minuta foi aprovada durante o 33º Congresso Nacional dos Funcionários do BB no ano passado”, afirma Goretti. 

A dirigente acrescenta que se o impasse permanecer na mesa de negociações, os bancários e as bancárias do BB precisam precisam se organizar para fazer uma forte mobilização contra essa inoperância do banco em tratar das pautas dos trabalhadores. 

Fim do Performa
Os representantes dos funcionários pleitearam na mesa de negociações o fim do Performa, programa criado pelo BB no segundo ano do governo Bolsonaro (2020). À época, os dirigentes do BB, sob a gestão de Rubem Novaes, asseguraram que o Performa não causaria impactos no desenvolvimento da carreira de mérito, portanto na diminuição das verbas salariais dos funcionários. Entretanto, não foi isso o que aconteceu. O programa “mordeu” o bolso do trabalhador e, desde aquele ano, o movimento sindical vem denunciando os impactos negativos da reestruturação.

O programa imposto no início de 2020 criou um novo plano de funções sem negociação com as representações dos trabalhadores. O Performa nivelou por baixo os funcionários, reduzindo salários e direitos dos futuros comissionados e impondo uma remuneração variável sem negociação com o movimento sindical. 

Plano de Cargos e Salários
Na reunião, o BB também não apresentou nenhuma resposta em relação ao Plano de Cargos e Salários (PCS). “A única manifestação que o banco fez na mesa foi um pedido para que compartilhássemos estudos e reivindicações nossas sobre a questão”, destacou a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes. “Nossa avaliação de tudo isso é muito negativa, porque estamos a praticamente três meses do final do ano com poucos avanços”, completou.

Goretti afirma que o Sindicato corrobora com as críticas da CEBB à postura intransigente do banco. A dirigente reforça a urgência de se construir uma proposta – com representantes dos trabalhadores e do banco – de um Plano de Cargos e Salários. Goretti alerta que a sobrecarga de trabalho é um gatilho para o adoecimento dos bancários e das bancárias do BB. Na reunião os representantes da CEBB citaram como exemplo o caso dos gerentes de serviços, que estão com acúmulo de funções, e reiteraram a necessidade de o banco apresentar uma resposta célere às reivindicações. 

Em resposta às cobranças dos trabalhadores na mesa, o banco admitiu que não tinha “algo concreto para apresentar”, nem em relação ao Performa ou ao PCS, e ainda que não há “perspectiva de trazer uma proposta de planos e salários até o final do ano”. 

Os membros da CEBB rebateram e reforçaram a exigência pela revogação do Performa, o fim da Verba Temporária Vinculada à Função (VTVF ou, como ficou conhecida entre os trabalhadores, a verba come-come). Além disso, o movimento sindical cobrou a volta das funções de gerente básico e avançado e concordou em auxiliar o banco na construção de uma proposta para um PCS, contanto que a CEBB participe do grupo de trabalho que está estudando a questão.