Ao invés de fazer proposta nesta Campanha 2022 de reajuste salarial e participação nos lucros e resultados linear, como querem e merecem os funcionários, a direção do Banco do Brasil anunciou que as agências vão receber “verba extra para celebrar resultado histórico”. A reação dos bancários foi imediata nos canais internos do BB.
“O melhor reconhecimento seria um acordo salarial com ganho real e aumento significativo dos VA [vale-alimentação] e VR [vale-refeição], além do pagamento da PLR que ninguém sabe quando…”, afirmou um bancário.
“Comemorar o quê? As metas ‘desafiadoras’ (para não dizer o nome certo)? Comemorar a pressão desumana por resultados? Comemorar o adoecimento dos funcionários? Eu não tenho motivos para comemorar”, comentou outro.
E as manifestações dos bancários continuaram: “Excelente o resultado! Realmente devemos comemorar e focar nossos esforços em superar esses números a cada semestre. Entretanto, para nós seria muito mais empolgante, recompensador, gratificante, que esse reconhecimento viesse em forma de PLR distribuída linearmente e não escalonada por cargos, e principalmente em reajuste real de salário, não apenas verbas que não se incorporam ao salário! Um bom trabalho para todos nós!”.
“Eu quero é AUMENTO REAL NO SALÁRIO, ACIMA DA INFLAÇÃO. Todo ano tem desculpa, esse ano não dá, né!”, bradou em caixa alta um funcionário.
Para a diretora do Sindicato Goretti Barone, “é muita cara de pau da direção do BB falar em comemoração quando estamos no meio de uma campanha salarial sem proposta, com os bancários sendo sacrificados com cobrança de metas abusivas”. Ela lembra que o resultado do BB foi conquistado “com muito sofrimento físico e psíquico dos funcionários”, que merecem mais “respeito e reconhecimento, por meio de melhorias salariais e das condições de trabalho, não de verba para comemoração”.
Lucros
O “resultado histórico”, que o Conselho Diretor do Banco decidiu “celebrar” e, para isso, fez um aporte extra na Verba de Relacionamento Interno (VRI) das agências, diz respeito ao primeiro semestre deste ano. O lucro líquido foi de R$ 14,4 bilhões, alta de 44,9% em relação ao 1º semestre do ano passado.
A saúde financeira do BB contrasta com realidade da grande maioria da população brasileira, que convive com uma crise econômica gravíssima, com inflação de dois dígitos corroendo o poder de compra do trabalhador, além do desemprego, da miséria e da fome.

