O Banco do Brasil nadou de braçada no primeiro trimestre de 2023 e deixou para trás os seus principais concorrentes. Nem mesmo o Itaú, maior banco privado do país, superou o lucro de R$ 8,55 bilhões apurado pelo BB nos três primeiros meses do ano. Para entender o quão pujante é o resultado, a soma dos lucros do Bradesco e Santander (R$ 6,4 bilhões) deixam os concorrentes privados mais de R$ 2 bilhões atrás do lucro do BB, que foi 28,9% maior na comparação com o mesmo período de 2022. O patrimônio líquido do banco ficou em R$ 169,53 bilhões, alta de 10,8% em um ano.
Para a dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone, o lucro estratosférico pode esconder contradições que afastam o Banco do Brasil de sua vocação pública. “Há perguntas a serem respondidas por trás desse lucro estrondoso. Será que o BB está cumprindo seu papel de banco público? Estamos oferecendo crédito a juros viáveis aos segmentos mais vulneráveis ou estamos entrando na espiral capitalista do rentismo, que tem o lucro como único propósito? Esses resultados retumbantes têm sido alcançados a que custo? Será que os funcionários têm sido tratados com dignidade ou as metas cada vez mais desumanas têm adoecido os trabalhadores física e psicologicamente?”
Segundo Goretti, esses resultados precisam ser analisados com muita cautela, sempre à luz dos propósitos repactuados pelo presidente Lula. “É oportuno recordar as falas ditas por Lula na ocasião da posse da presidente do BB, Tarciana Medeiros. Lula fez dois pedidos à nova gestão do BB: primeiramente, ‘tratar com respeito os 85 mil funcionários e funcionárias do Banco do Brasil’. Em segundo lugar, ‘cuidar do povo que mais necessita’, se referindo à inclusão dos menos favorecidos na política do banco”, assinala Goretti.
“As respostas a todos esses questionamentos acima talvez ajudem a analisar esse lucro sob um olhar crítico do papel social do banco e não com a euforia do mercado, que é contraditória à vocação do banco”. Com base nos próprios dados do BB, a dirigente destaca que o total de clientes cresceu 2,7 milhões, alcançando 82 milhões em março de 2023.
Em contraponto a esse crescimento, adverte Goretti, ao final do trimestre, o BB contava com apenas 85.457 funcionários e registrava o fechamento de 1.009 postos de trabalho em 12 meses, mesmo tendo havido convocação de candidatos aprovados em concurso público ao longo de 2022. “Esse é o exemplo de um dado que está escondido atrás do lucro. O número de clientes cresce em progressão geométrica enquanto o de funcionários encolhe ano a ano. Essa equação não fecha e já sabemos o resultado: adoecimento em massa dos trabalhadores e das trabalhadoras, que precisam entregar muito mais para cumprir metas que se tornam abusivas. Cada vez que o banco bate um novo recorde de lucro, essas metas ficam mais intangíveis”, critica a dirigente.








