Se aproveitando das limitações de atendimento ao público impostas pelo Governo do Estado às agências bancárias, o Banco do Brasil está intensificando a cobrança de metas sobre os empregados para venda de produtos e financiamentos.
O Sindicato recebeu denúncias com documentos que comprovam o ranqueamento de vendas nas unidades e relatos de bancários que atestam assédio moral para atingir os resultados.
Tais operações não estão incluídas no rol das exceções previstas do decreto estadual publicado na última sexta-feira, 20, que determina a manutenção apenas de serviços considerados emergenciais, como “os atendimentos referentes aos programas destinados a aliviar as consequências econômicas do novo coronavírus, bem como os atendimentos de pessoas com doenças graves e o funcionamento de caixas eletrônicos”.
Para o Sindicato, a postura do Banco do Brasil é desumana e mostra descaso com a gravidade da pandemia que assola o país. “Os bancos continuam negligenciando a vida das pessoas e priorizando o lucro”, destaca Thiago Duda, diretor do Sindicato dos Bancários/ES.
Contingente nas agências ainda é grande
Para viabilizar a venda de produtos e o atendimento essencial, um grande número de empregados permanece nas agências, expondo trabalhadores e clientes a risco de contágio pela Covid-19.
“Temos unidades funcionando com 15 e até 20 empregados. São pessoas que precisam se deslocar para o trabalho, muitas usando transporte público, e que acabam tendo contato com a população mesmo com as restrições do Decreto. Os bancários precisam fazer a triagem dos atendimentos, inclusive fora da agência, ficando expostos à contaminação e podendo ser vetor para dentro do local de trabalho”, explica a diretora Evelyn Flores, bancária do BB.
“O contato direto com o público que se aglomera do lado de fora mantém o quadro de risco e vai no sentido contrário à orientação de isolamento social preconizada pelas autoridades de saúde”, completa a diretora.
Para o Sindicato, a única medida eficaz para dar segurança aos bancários e clientes é a suspenção completa dos serviços nas agências bancárias, disponibilizando, excepcionalmente, canais alternativos para o atendimento da população. O Sindicato ainda defende outras medidas, como a flexibilização para pagamento de contas e a não cobrança de juros.
“Da forma como o banco está operando, podemos dizer que o Decreto veio a calhar. É estratégico que o atendimento ao público seja reduzido para que os empregados priorizem a realização de negócios. Hoje, a venda de produtos é a atividade principal dos bancos. O BB não está preocupado com o atendimento da população ou com o risco que estão correndo ao se aglomerarem em frente à agência. Querem apenas que os resultados positivos continuem”, critica Thiago Duda.
Ele reforça a posição do Sindicato para que todas as agências bancárias fiquem fechadas, sem prestação de serviço, a fim de garantir a medida de isolamento social, única capaz de conter a propagação do coronavírus, protegendo a vida de bancários e clientes.









