O presidente da Caixa, Carlos Vieira, conseguiu furar a bolha e causar uma indignação generalizada nos meios políticos de A a Z, e na sociedade em geral, ao anunciar no último dia 20 que a instituição lançaria sua própria bet até o final de novembro. A repercussão foi tão negativa que cruzou o mundo e foi bater no ouvido do presidente Lula na Malásia, na Cúpula da Ásia do Leste. Assessores próximos ao presidente disseram que Lula ficou irritado com o anúncio da Bet da Caixa e adiantou que pedirá explicações a Vieira assim que retornar ao Brasil. 

A indignação também foi grande no movimento sindical. A dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Rita Lima manifestou repúdio à proposta de Vieira. “Ao propor uma bet da Caixa a gente tem a exata noção de que Vieira desconhece a história da instituição de mais de 164 anos. Se conhecesse, jamais cogitaria uma excrescência como essa. Estamos falando de uma instituição que sempre foi reconhecida por promover o desenvolvimento social, por meio de programas voltados para habitação, educação, saneamento e outras políticas públicas de inclusão”, enfatizou.

Ela acrescentou que a reação de Lula à proposta é coerente com a biografia da Caixa. “O presidente Lula, como não podia ser diferente, não poderia trocar o papel da Caixa de fomentadora do desenvolvimento social para agente da pobreza. Porque é isso que as bets estão trazendo para as famílias: endividamento e empobrecimento”, criticou Rita. 

Adoecimento
Além dos prejuízos financeiros, as bets têm causado o adoecimento tanto do jogador quanto dos seus familiares. “Os jogos de azar, as chamadas bets, se transformaram numa questão de saúde pública. Especialistas da área da saúde temem que o vício em jogos on-line cresça exponencialmente em função do grande número de plataformas que passaram a operar no país nos últimos anos”, afirmou a dirigente. 

Uma reportagem da UOL, assinado por Camila Brandalise e Rogério Gentile, alerta que o vício em jogos on-line é tão preocupante que alguns apostadores chegam ao extremo de atentar contra a própria vida. Segundo a reportagem, a dependência em jogos é considerada uma doença, mas diferentemente da química, se estabelece por um comportamento. Nesse caso, qualquer tipo de aposta que desencadeie a emoção de jogar, esperar o resultado, ganhar ou perder, jogar de novo. Quem para tem até sintomas físicos de abstinência, como suor e tremedeira.

A matéria da UOL relata casos de crimes, suicídio e violência de pessoas que se viciaram em apostas. Problemas que só tendem a aumentar, segundo especialistas, por causa da explosão das bets no Brasil. Para cada três pessoas com problemas em jogos, uma tem ideações suicidas. Entre quem não tem compulsão e quem não joga, o índice é de uma pessoa para cada oito.

Ainda, segundo a reportagem da UOL, há pesquisas relacionando o aumento em gastos com apostas ao crescimento do número de crimes. Os dados são de pesquisas de países que passaram por situação parecida com a que vivemos no Brasil hoje.

“A expectativa é de que o movimento sindical, as associações ligadas à Caixa e os empregados do banco façam uma grande mobilização em repúdio à implantação das  Bets da Caixa. Espero que o presidente Lula exorcize de vez essa ideia obscena da cabeça de Carlos Vieira. Não vamos permitir que nenhum gestor da Caixa macule a imagem da instituição”, assinalou Rita.