Os impactos da reestruturação do Bradesco já estão sendo sentidos pelos bancários capixabas. Na última quarta-feira, 05, o Sindicato recebeu informação de que a agência Praia da Costa foi transformada em agência digital, sem qualquer comunicação formal à entidade ou aos próprios clientes. A unidade funcionará até o dia 14 apenas com o caixa eletrônico e a presença de vigilante, já que os demais serviços bancários oferecidos no local já foram suspensos.
Parte dos empregados da unidade foram realocados para outras agências, e três funcionárias, que gozam de licença-maternidade, ainda não foram orientadas sobre como será sua reintegração ao trabalho.
O Sindicato dos Bancários/ES criticou o fechamento da unidade e a forma como foi implementado, e vai solicitar à direção regional do banco uma reunião para tratar dos desdobramentos da medida.
Na última semana, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco cobrou a abertura de negociações sobre o fechamento de agências, que acontece como parte de um projeto de reestruturação nacional do banco. Reportagem publicada pelo jornal Valor Econômico no último dia 30 revelou intenção do Bradesco de fechar mais de 400 agências ao longo do ano, com declaração do presidente da instituição, Octávio de Lazari, de que o ajuste na estrutura física do Bradesco continuaria de forma intensa em 2020 e 2021.
O fechamento de agências acontece na esteira do processo de intensificação do uso das tecnologias de informação e comunicação nas empresas do ramo financeiro, algo que foi acelerado com a pandemia, que permitiu aos bancos, por exemplo, aplicar de forma mais alargada a experiência do homeoffice. “Ao fechar agências, o banco reduz custos não só com a manutenção dos imóveis, mas como toda a estrutura de trabalho e de atendimento. Esses custos são transferidos para empregados e clientes, que precisam, de maneira distinta, mobilizar recursos próprios para trabalhar ou acessar os serviços bancários”, explica a diretora do Sindicato Lindalva Firme.
Mas as mudanças atingem também as rotinas cotidianas dos empregados que permanecem nas agências. Desde o último dia 1º, o banco cortou arbitrariamente o lanche que era fornecido aos empregados durante o expediente, com a justificativa de se evitar o desperdício.
“A mensagem do banco é de que o empregado não pode sequer parar alguns minutos para comer durante o trabalho. É como se operássemos como máquina. O trabalho no banco fica cada vez mais desumano e precário. É uma medida que piora o ambiente e afeta diretamente a saúde do trabalhador. Era uma pequena refeição com o qual os bancários já estavam acostumados, e que faz muita diferença para quem passa horas do seu dia num mesmo ambiente. Agora, os bancários não poderão sequer comer algo antes de sair do trabalho e pegar a condução de retorno para casa”, critica Lindalva.
A diretora lembra que a justificativa do banco só atende à sanha desenfreada pelo lucro. “O Bradesco está longe de ser uma empresa decadente do ponto de vista financeiro. O banco bateu recorde de lucro em 2019, com R$ 25,9 bilhões. E só no segundo trimestre do ano chegou a R$ 3,506 bi de lucro líquido. Cortar o lanche dos empregados chega a ser mesquinho”, pontua.









