Bradesco desliga 3 mil empregados e planeja fechar 450 agências até o final de 2020

01/11/2019 16:40

O PDV, encerrado nessa quinta, 31, deve reduzir o quadro para pouco mais de 96 mil empregados. Em dois anos, o banco já fechou 10,5 mil postos de trabalho

O programa de desligamento voluntário (PDV) do Bradesco, encerrada nessa quinta-feira, 31, teve a adesão de 3 mil empregados. Com o PDV, o Bradesco reduz seu quadro de pessoal de 99.272 para pouco mais 96 mil empregados. Esse é o menor número desde 2014. No final de 2017, ocasião em que o Bradesco incorporou o HSBC no Brasil, o banco desligou cerca de 7,5 mil empregados. No balanço dos últimos dois anos, o segundo maior banco privado do país cortou 10,5 mil postos de trabalho.

Embutido no pacote de demissões voluntárias, o fechamento de agências completa o plano de ajustes do banco. O Bradesco deve chegar ao final de 2019 com 150 agências a menos. A expectativa é de encerrar as atividades em mais 300 agências ao longo de 2020, para atingir a meta de fechar 450 unidades – cerca de 10% das 4.567 agências. Essa será a segunda maior operação em número de agências fechadas do banco. O recorde foi atingido em 2016, com a compra do HSBC. Na ocasião, o banco fechou as portas de 565 unidades em apenas um ano.

O presidente do Bradesco, Octávio de Lazari Junior, avaliando o balanço do PDV à imprensa, não teve nenhum constrangimento em admitir que a intenção do banco era mesmo economizar cortando empregos. “Teremos em períodos futuros um número menor de funcionários como reflexo do novo PDV e a continuidade de ajustes. Finalmente poderemos afirmar que as despesas trabalhistas em 2020 serão menores do que observamos neste ano”, afirmou.

O diretor do Sindicato do Bancários/ES, Fabrício Coelho, criticou a insensibilidade do presidente do Bradesco em comemorar fechamento de postos de trabalho em um país que vive uma das suas maiores crises de desemprego. “O Bradesco comemora também em virtude do cenário favorável ao empregador após a aprovação da reforma trabalhista [que passou a viger em 11/11/2017]. Sabemos que a intenção do banco era inclusive que mais bancários aderissem ao plano de demissão. Na sanha do banco de reduzir custos, precarizar o serviço presencial ao público e maximizar lucros”, afirmou Fabrício.

Lucro em primeiro lugar

Os dois PDVs realizados no intervalo de dois anos, que eliminaram 10,5 mil postos de trabalho, combinado com o fechamento de 10% das agências até 2020, podem dar a ideia de que o banco está promovendo cortes por estar no vermelho. Muito ao contrário, o lucro líquido recorrente do Bradesco no terceiro trimestre do ano, divulgado nessa quinta-feira, foi de R$ 6,5 bilhões – um salto de 19,6% em relação ao mesmo período de 2018.

“Sabemos que isso tem um limite no capitalismo. Bater recordes em cima de recordes de lucros e reduzir ao máximo o número de trabalhadores, a massa salarial, ajuda a afundar ainda mais a economia. E trabalhador sem dinheiro no bolso, todos nós sabemos no que dá. Infelizmente, vivemos num país que não tem uma legislação que limite a propriedade do dinheiro”, critica Fabrício.

O Bradesco foi o segundo banco a divulgar o balanço. O primeiro foi o Santander, que também registrou crescimento de 19% do terceiro trimestre de 2019 e lucro líquido de R$ 3,7 bilhões.