Bradesco tem maior lucro trimestral da história, mas continua a demitir

25/04/2014 18:20

O Bradesco divulgou nesta quinta-feira, 24, o lucro líquido ajustado de R$ 3,47 bilhões somente no primeiro trimestre deste ano, o que representa um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2013. Apesar de ser o maior lucro trimestral da história do banco, de acordo com a consultoria Economática, o Bradesco demitiu 944 […]

O Bradesco divulgou nesta quinta-feira, 24, o lucro líquido ajustado de R$ 3,47 bilhões somente no primeiro trimestre deste ano, o que representa um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2013. Apesar de ser o maior lucro trimestral da história do banco, de acordo com a consultoria Economática, o Bradesco demitiu 944 funcionários nos primeiros três meses de 2013.

Com mais esse corte de funcionários, o Bradesco reafirma sua prática da rotatividade. Nos últimos 12 meses, foram 3.248 postos de trabalho eliminados pelo banco. O quadro de pessoal caiu de 102.793 funcionários em março de 2013 para 99.545 em março deste ano, segundo análise da Subseção do Dieese da Contraf-CUT com base no balanço do banco.

“É inadmissível que o Bradesco, seja com lucro recorde ou lucro menor, continue a investir no corte de funcionários. Não há justificativa para as demissões e essa prática do Bradesco é mais uma prova de que os bancos investem cada vez mais na precarização do trabalho e batem recorde de lucro, penalizando milhares de trabalhadores, que, além de todas as pressões que sofrem, ainda são demitidos”, enfatiza o bancário do Bradesco e diretor do Sindibancários/ES, Fabrício Coelho.

Fabrício também destaca que há muitos anos no Brasil a rentabilidade do Patrimônio Líquido dos grandes bancos, como o Bradesco, batem a casa de 25% ao ano, fazendo esse Patrimônio dobrar a cada 4 anos. “A média e a massa salarial dos bancários nem de longe acompanha esses índices. A categoria é ‘premiada’ com reajustes mínimos, metas e pressões diárias, assédio moral, adoecimento, demissões. Por isso, lutamos pela ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo fim das demissões imotivadas.”

Crescimento

A rentabilidade do banco foi de 20,5%, o que representa uma elevação de 1,00 ponto percentual sobre o mesmo período do ano passado.
As operações de crédito cresceram 10,4% em 12 meses, atingindo um montante de R$ 432,3 bilhões. As operações com pessoas físicas cresceram 11,5%, no mesmo período, chegando a R$ 132,7 bilhões. Já as operações com pessoas jurídicas alcançaram R$ 299,6 bilhões, com elevação de 9,9% comparado ao mesmo período de 2013.
Já o índice de inadimplência superior a 90 dias apresentou queda de 0,6 ponto percentual, ficando em 3,4% no 1º trimestre do ano. Diante da redução da inadimplência por cinco trimestres seguidos (desde o quarto trimestre de 2012), o Bradesco reduziu suas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) em 6,4%, em relação a março de 2013, ficando em R$ 3,251 bilhões.

A receita com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias subiu 15,1% em 12 meses, atingindo R$ 6,238 bilhões. Enquanto isso, as despesas de pessoal subiram apenas 7,2%, ficando em R$ 3,279 bilhões. Com isso, a cobertura dessas despesas pelas receitas de serviços e tarifas subiu de 147,37% para 158,28% no primeiro trimestre do ano.

Com informações da Contraf e Dieese