Caixa afrouxa protocolos e aumenta risco à covid-19 de empregados e clientes

19/05/2020 19:59

Entre as mudanças, a quarentena, que era de 14 dias, reduziu pela metade; o banco também tem feito sanitizações “relâmpago”, para reabrir mais rapidamente as agências

A Caixa Econômica decidiu abrandar os protocolos da covid-19, aumentando os riscos de empregados, clientes e usuários contraírem a doença. Entre as mudanças que começaram a vigorar nessa segunda-feira, 18, o banco reduziu a quarentena dos empregados infectados de 14 para sete dias. Após a confirmação de caso do novo coronavírus, o protocolo prevê a sanitização da unidade, mas esse processo também tem sido cada vez mais rápido, para evitar que a agência fique fechada.

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES. Lizandre Borges, afirma que o relaxamento dos protocolos é resultado da pressão do governo Bolsonaro, que exige o retorno imediato de todos os empregados aos postos de trabalho. “Pedro Guimarães, obedecendo a Bolsonaro, quer pôr fim ao home office, medida que garante mais segurança aos empregados, especialmente dos que fazem parte do chamado grupo de risco. O afrouxamento dos protocolos preventivos, justamente no momento em que a curva do vírus está ascendente e as filas cada dia maiores, aumenta o risco de contágio da covid-19 para empregados e usuários do banco”, adverte a dirigente.

Lizandre afirma que a redução do afastamento de apenas sete dias de empregados com suspeita ou confirmação da doença não tem respaldo nos protocolos preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O período de 14 dias de quarentena foi calculado com base no ciclo do vírus. Ela também explica que anteriormente, sempre que havia um caso confirmado de coronavírus na agência, todos os empregados eram afastados de 5 a 14 dias, dependendo da situação de cada trabalhador, para que outra equipe assumisse. Antes, porém, a unidade passava por um criterioso processo de sanitização. Segundo ela, o Sindicato tem recebido informações dos empregados de sanitizações “relâmpago”, o que aumenta o risco de contaminação.

Lizandre também diz que a Caixa, pelo novo protocolo, só afasta os empregados que tiveram contato direto com a pessoa infectada. “Ora, dentro de uma agência é impossível fazer essa distinção. Sabemos que o empregado circula por áreas comuns da unidade, como copa, sanitários e outros espaços compartilhados. O critério é temerário. Isso gera mais apreensão aos empregados, que além da alta exposição ao vírus no atendimento em si, precisam também se preocupar com os riscos de contágio entre os próprios colegas”, aponta.