A Caixa anunciou nesta quarta-feira, 24, a contratação de 800 aprovados no concurso de 2014. Os novos empregados devem ser convocados a partir de junho para início imediato. A presidenta da instituição, Rita Serrano, afirmou que as contratações são um dos compromissos assumidos pela sua gestão. Ela acrescentou ainda que “os novos contratados vão reforçar e proporcionar melhorias no atendimento nas agências, assim como as condições de trabalho dos colegas”.

Para Lizandre Borges, dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, a notícia de novas contratações é sempre bem-vinda. “É uma sinalização importante. Indica que a atual gestão está ciente de que há um déficit de empregados e é preciso repô-lo urgentemente. Não é o número ideal, mas é um bom começo”, pondera.

Em 2014, quando o concurso foi realizado, a Caixa tinha 101.484 empregados. “De lá pra cá, sobretudo nos governos Temer e Bolsonaro, este número vem caindo ano a ano (gráfico abaixo)”, aponta Lizandre. Atualmente o déficit está estimado em 20 mil empregados. A dirigente alerta que o déficit resulta na sobrecarga de trabalho, que leva ao adoecimento físico e mental dos empregados e das empregadas.

A dirigente observa que as contratações sob Bolsonaro foram compulsórias. Ela recorda que foram contratadas cerca de 4 mil Pessoas com Deficiência (PcDs) porque a Justiça do Trabalho obrigou a Caixa a cumprir a cota legal de 5% de contratação de PcDs. A gestão de Pedro Guimarães chegou a recorrer da decisão.

Os dados sobre a relação clientes por empregado confirmam o tamanho desse déficit. Em 2007, havia, em média, 575 clientes por empregado. Atualmente, essa relação está em torno de 1.700 clientes por empregado. Nesse intervalo de 16 anos, o número de empregados não acompanhou o de clientes, que vêm crescendo exponencialmente. “Hoje a Caixa tem mais de 142 milhões de clientes, 220 milhões de contas correntes e 15 mil empregados a menos que em 2014. O resultado dessa equação é o adoecimento”, destaca Lizandre.

Travas
A dirigente destaca que as 800 novas contratações esbarram no teto imposto pela Secretaria de de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), que estabelece o limite de 87.544. Os dados apontam que até março deste ano a Caixa tinha 86.741 empregados. Ela ressalta que a presidenta Rita Serrano tem um desafio e tanto pela frente. “Para fazer as contratações, ela botou o regulamento debaixo do braço e chamou os 800 que o teto da Sest permitia. Mas Rita Serrano terá que desarmar todas essas bombas que foram espalhadas pela gestão anterior”, adverte. A dirigente diz que além do limite imposto pela Sest, há outras travas como a CGPAR (Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União) e, agora, o arcabouço fiscal, que também reduz a autonomia das empresas estatais para realização de concursos. “Esse desafio de desmontar essas travas para mitigar esse déficit de pessoal  não é só da presidenta da instituição, mas de todos nós que militamos no movimento sindical e dos empregados e das empregadas da Caixa”, afirma.

Curso de integração
Vinculado ao concurso, a diretora do Sindibancários também destaca o retorno do curso de integração, que é dirigido aos novos empregados. “As integrações não aconteceram nos governos Temer e Bolsonaro. Ao contrário, principalmente na gestão Bolsonaro/Guimarães os princípios basilares da instituição foram desfigurados”.

Segundo ela, a integração permite que o novo empregado compreenda e se aproprie da cultura vocacional da Caixa, um banco 100% público voltado prioritariamente para as políticas sociais do governo federal, como habitação, saneamento, educação e crédito acessível para micros e pequenos empreendedores. “Esse é o propósito da Caixa que deve ser incorporado pelo empregado antes de ele atender o primeiro cliente”, enfatiza Lizandre.