Nesta quinta-feira, 12, a Caixa Econômica Federal completa 162 anos. No mesmo dia, em Brasília, acontece a cerimônia de posse da nova presidente da instituição. Rita Serrano assume o comando do maior banco público da América Latina com a missão de retomar o papel social da Caixa e aproximá-la novamente do povo brasileiro. A decisão de coincidir a data da posse com o aniversário do banco não foi casual. O presidente Lula tem afirmado que, no seu governo, os bancos públicos serão indutores do desenvolvimento econômico e social do país.
A dirigente da Fetraf RJ/ES e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), Lizandre Borges, observa que a Caixa de fato se distanciou do seu propósito social de 2016 para cá. Ao longo da sua história, destaca Lizandre, a Caixa foi o banco que sempre esteve presente na vida dos brasileiros, se transformando em referência em poupança, empréstimos, FGTS, PIS, seguro-desemprego, crédito educativo, financiamento habitacional, saneamento e infraestrutura, além de transferência de benefícios sociais. “Jamais vamos esquecer dos empregados e das empregadas da Caixa, no auge da pandemia, quando ainda não havia vacina, pondo em risco suas vidas para garantir que o auxílio emergencial fosse pago a milhões de brasileiros que dependiam do benefício para sobreviver”, recorda a dirigente.
A dirigente afirma que depois de seis anos de retrocessos, cria-se uma perspectiva positiva com a mudança de governo e com a nomeação de uma empregada de carreira para comandar a instituição. “Primeiramente, conseguimos derrotar um candidato fascista e eleger um presidente comprometido com a pauta social e com a defesa incondicional da democracia. Só aí temos um ganho imensurável. Em segundo lugar, recebemos a boa notícia de que Rita Serrano assumiria a presidência da Caixa. Há uma confiança muito grande nesta nova gestão. Rita conhece o outro lado do balcão, sempre esteve conosco nas nossas lutas e compartilhou dos mesmos anseios: a valorização dos empregados e das empregadas, o resgate da vocação social da Caixa e sua função estratégica de promotora do desenvolvimento econômico do país. Com essa conjuntura que se abre, temos a expectativa de dias melhores para Caixa e para todos seus empregados”, ressalta Lizandre.
Reputação manchada
Lizandre abre um parênteses para falar da situação dos empregados e das empregadas da Caixa. Ela destaca que a gestão de Pedro Guimarães maculou para sempre a história da Caixa. “Os casos de assédio sexual e moral são sem dúvida um dos mais graves escândalos dessa história longeva e de glórias da Caixa. É uma marca indelével que servirá para nos lembrar para sempre o quão perversa e destrutiva foi a gestão de Pedro Guimarães. Como disse a nossa nova presidenta, Pedro Guimarães causou uma crise de reputação à imagem da Caixa”.
A dirigente se refere à recente entrevista que Rita Serrano deu à Fenae. “A Caixa viveu uma crise reputacional. Com certeza nós vamos modificar isso ao reconstruir o banco, [resgatar] o seu papel primordial de atender os interesses do país, atender os interesses da população e acabar de vez com a gestão pelo medo, valorizando os profissionais do banco, valorizando a carreira e voltando com a área de pessoas, as VPs (Vice-presidência) de Pessoas, para que de fato tenhamos uma valorização de todo esse processo de trabalho”, afirmou Rita Serrano, a quarta mulher a assumir a presidência da Caixa. Antes dela comandaram o banco público Maria Fernanda Coelho, Miriam Belchior e mais recentemente Daniella Marques, que substituiu Pedro Guimarães em julho do ano passado
Caixa escreveu sua história com o povo brasileiro
A história da Caixa se confunde com a do Brasil. Em 1861, D. Pedro II assinou o decreto que criava a “Caixa Econômica e um Monte de Socorro” com a missão de conceder empréstimos e estimular o hábito de poupar entre a população. Essa nomenclatura inicial, estranha para alguns, explica o propósito social do banco. O nome Monte de Socorro foi inspirado nos Montes Pios ou nos Montes de Piedade europeus. Locais aos quais os desbancarizados da época recorriam para tomar empréstimos e fugir das taxas de juros extorsivas dos bancos tradicionais e agiotas. Nos Montes de Socorro, os empréstimos eram geralmente tomados com o empenho de joias e objetos de valor a juros e prazos mais acessíveis em comparação com os bancos.
No Brasil imperial do século XIX, a grande maioria da população estava excluída do sistema bancário. Entre os marginalizados do sistema financeiro estavam os pequenos comerciantes, a população de baixa renda que desempenhavam atividades braçais e mulheres e homens negros escravizados, que tiveram a oportunidade única de abrir uma poupança na Caixa com o propósito de juntar dinheiro para comprar sua carta de alforria.

Reprodução: Acervo da Caixa
Segundo o acervo histórico da Caixa, a caderneta de poupança número 43 (reprodução acima), na Caixa de São Paulo, em 1875, pertencia ao escravizado chamado Judas, apenas Judas, nada mais. O escravizado não sabia ler e escrever, mas conseguiu abrir uma poupança e já havia juntado 24 mil réis. Não se sabe se Judas conseguiu juntar a quantia suficiente para comprar a sonhada liberdade, mas o acesso ao sistema financeiro com a perspectiva de ser livre era uma forma de resistência às elites escravocratas do Brasil imperial.
Para Ronan Teixeira, diretor do Sindicato dos Bancários/ES, essa raiz social da Caixa como um banco de inclusão social não pode ser perdida de vista. “Esses últimos seis anos foram trágicos porque a Caixa foi ficando cada vez mais distante desse propósito inicial que forjou sua fundação. Se a Caixa se olhasse no espelho ao final do governo Bolsonaro, veria uma imagem desfigurada, toda retorcida, que mal lembraria a Caixa que todos nós conhecemos e aprendemos a respeitar ao longo desses 162 anos. Temos expectativa de que a nova gestão que se inicia com Rita Serrano irá devolver a Caixa a sua feição original”, finaliza Ronan.
Posse
Em Brasília, na noite desta quinta-feira, às 18h, no teatro da Caixa Cultural, acontece também a cerimônia de posse de Rita Serrano na presidência da instituição. A cerimônia vai contar com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O Sindicato estará representado na posse pelo diretor Ronan Teixeira. Já a dirigente Lizandre Borges estará na posse representando a Fetraf RJ-ES.
Comemoração pelo Brasil
O aniversário da Caixa será festejado em todo o Brasil. No Espírito Santo, o Sindicato faz um ato comemorativo nesta quinta-feira, a partir das 9h, na agência da Caixa na avenida Beira-mar. Nesta mesma data, o Sindicato dos Bancários também comemora 89 anos de luta. As subsedes em Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Linhares também comemoram os aniversários do Sindicato e da Caixa.







