Caixa convoca empregados em home office sem negociar com sindicatos

23/06/2020 20:51

No ES, Sindicato informa que ao menos empregados de quatro gerências foram obrigados a retornar ao trabalho presencial. A convocação determinou o retorno para essa segunda, 22

Sem negociação prévia com os sindicatos de todo o país, a Caixa Econômica decidiu convocar os empregados em home office a retornarem ao trabalho presencial a partir dessa segunda-feira, 22. A decisão unilateral do banco deve atingir em média 30% dos empregados de diversas áreas-meio em todo o país. Em alguns estados, uma parte já teria sido convocada a retornar no último dia 18.

A decisão contraria o comunicado do próprio banco divulgado no dia 12 de junho, quando foi ratificada a manutenção do Projeto Remoto e das medidas protetivas aos empregados em função dos riscos causados pela pandemia do novo coronavírus, até 30 de junho. O retorno antecipado vai também contra o protocolo de intenções assinado pela caixa com o Ministério Público do Trabalho e Ministério Público Federal para a adoção e revisão de práticas na prevenção de contaminação da covid-19 no acesso aos serviços bancários.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, a convocação também está ocorrendo no Espírito Santo. A dirigente relata que os empregados das gerências de Pessoas, Logística, Habitação, Governo e do FGTS foram convocados. “A informação que recebemos é de que a Gerência de Governo determinou o retorno de 30% dos empregados que estavam em trabalho remoto e as demais convocaram 20%”.

Para Lizandre, o retorno antecipado, no momento em que a curva de propagação do coronavírus está em ascensão no Espírito Santo e em todo o país, demonstra a sintonia do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, à necropolítica imposta por Bolsonaro.

“Bolsonaro que usar a Caixa como exemplo. O presidente, dentro da sua posição negacionista da pandemia, quer que a atividade econômica volte à normalidade a todo custo, sem se importa com as vidas dos empregados do banco”, critica.

Ela acrescenta que a decisão, além de representar risco de contaminação aos empregados, atropela as entidades sindicais, que sequer foram consultadas. Lizandre diz que a Caixa quer retomar os negócios de varejo do banco o mais rápido possível, sem se importa com as consequências para os empregados. Segundo ela, o banco recorre à chantagem para pressionar seus empregados. “Estão usando a abertura de um processo seletivo para aumentar a pressão sobre os empregados que se recusarem a retornar ao trabalho presencial”.

A dirigente afirma ainda que a Caixa está usando o horário estendido de quatro para seis horas, especificamente para atender os beneficiários do auxílio emergencial, para impor o cumprimento de metas aos empregados. “É abusivo usar o horário estendido para cobrar metas dos empregados”, protesta.

A Caixa, destaca a dirigente, vem sendo cobrada pelo Sindicato por não cumprir o protocolo de intenções firmado com o MPT e MPF. “O banco não está sequer cumprindo as medidas preconizadas pelas autoridades de saúde para mitigar os riscos de contaminação entre empregados, terceirizados, clientes e usuários e agora quer expor mais funcionários à doença. Não podemos aceitar mais esse ataque da Caixa ao direito dos empregados de preservarem suas vidas”, assinala.