O Decreto 4.604-R, do Governo do Espírito Santo, de 19 de março deste ano, restringe o atendimento nas agências bancárias públicas e privadas. Determina o decreto a exceção “(…) dos atendimentos referentes aos programas bancários destinados a aliviar as consequências econômicas do novo coronavírus (COVID-19), bem como os atendimentos de pessoas com doenças graves e o funcionamento de caixas eletrônicos”.
O decreto é inequívoco em definir quais são os serviços considerados essenciais no atendimento bancário, mas, na prática, a Caixa Econômica vem desrespeitando a legislação e impondo o atendimento aos serviços não essenciais. Nessa quarta-feira, 25, um informe da Caixa formalizou a inclusão de serviços como abertura de contas, entrega de cheques devolvidos, contratação de empréstimos e outros produtos de varejo na rotina de atendimento das agências. “Mesmo antes do informe, muitas agências já estavam flexibilizando o atendimento a serviços não essenciais”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges.
“O mais grave é que a flexibilização do atendimento a esses outros serviços acontece justamente num momento crítico da covid”, diz a dirigente. Nas últimas semanas, pesquisadores e especialistas vêm alertando que o Brasil está na iminência de entrar na segunda onda da doença, que já é realidade na Europa e nos Estados Unidos.
“Desde o início da pandemia o Sindicato tem insistido com os gestores estaduais da Caixa sobre a importância de se cumprir rigorosamente os protocolos sanitários, que inclui a restrição do atendimento aos serviços essenciais para evitar aglomerações e reduzir os riscos de contágio para empregados e clientes. Mas a Caixa tenta o tempo todo burlar as regras, como está fazendo agora com a ampliação dos serviços”, protesta Lizandre.
Caixa na vitrine
A Caixa anunciou lucro de R$ 7,5 bilhões nos nove primeiros meses de 2020. “O resultado da Caixa mostra que o banco vem, na prática, flexibilizando o atendimento já faz alguns meses. Essa flexibilização não é voltada para atender beneficiários dos serviços sociais do banco, mas exclusivamente para trazer mais lucro. Não por acaso, a Caixa dobrou as metas em meio à pandemia”, afirma o diretor do Sindicato Igor Bongiovani.
Na opinião do dirigente, a Caixa quer mostrar que pode fazer frente aos bancos privados. “Como estamos num cenário de privatização, com a Caixa na vitrine sob a ameaça iminente de ser fatiada e vendida, Pedro Guimarães [presidente da Caixa] e Paulo Guedes [ministro da Economia] querem convencer o mercado de que o banco, mesmo cumprindo seu papel social, é ainda altamente lucrativo”, diz Igor.
Lucro acima das vidas
Somente nessa quarta-feira, 25, de acordo com dados coletados pelo consórcio de veículos de imprensa, o Brasil registrou 45 mil novos casos de covid em 24 horas e 620 mortes. O país, assim, chegou 6.166.898 pessoas infectadas pelo novo coronavírus e ao total de 170.799 óbitos.
De acordo com os dados, o Espírito Santo e mais 11 estados registraram aumento da média móvel de 14 dias de novos casos e mortes. “A situação do Espírito Santo é de alerta. O crescimento das curvas da doença já se reflete nas UTIs da rede pública e privada. A taxa de ocupação da UTI Covid na rede pública já é de 86%. As taxas de retransmissão da doença [RT] também estão acima de 1 em todo o Estado. Outro indicador que é interpretado como um sinal de alerta. Mas a Caixa simplesmente ignora esse cenário caótico e aumenta a exposição dos seus empregados à doença para ampliar seus lucros. A Caixa tem de ser responsabilizada pelos novos casos e mortes de bancários e bancárias”, assinala Lizandre.
Gráficos abaixo mostram a evolução da covid-19 no Espírito Santo

Querem nos matar!
Leia a seguir relato de um empregado de uma agência da Caixa no Espírito Santo que não quis se identificar.
O que estamos vivendo na linha de frente das agências com o aumento velado dos serviços “essenciais” (abertura de contas, empréstimos, financiamentos, seguros e tudo mais pra cumprir as metas), empregados aderindo ao PDV, aumento expressivo da demanda dos clientes, App Caixa Tem com muitos problemas, com clientes esperando por três horas ou mais por atendimento. É insustentável, desumano e irracional.
Não bastasse isto tudo, ainda precisamos conviver com cobranças incisivas por parte dos SEV, reuniões infindáveis, muitas vezes após o expediente quando já estamos exaustos. E os “desafios” continuam aumentando (majoração de metas, campanha de reta final etc). E pra completar, os riscos à saúde de todos e todas está muito alto, num momento em que a taxa de contaminação está alta, no pior momento da pandemia, precisamos conviver com clientes que insistem em não usar a máscara devidamente, além de já chegarem com os nervos à flor da pele, muitas vezes ofendendo os empregados e prestadores de serviço, chegando ao ponto de causarem brigas.
E somos obrigados a ouvir o vice-presidente, em sua live “Papo Reto”, que a “as pessoas precisam ter espaço, clima e ambiente para fazerem o seu trabalho. Elas precisam ser respeitadas em suas individualidades”.
Estamos realmente esperando ansiosamente que nossos dirigentes apliquem o discurso na prática!
Querem nos matar!!

