A menos de dois meses para o final do ano, a Caixa propôs seis itens que precisariam ser alcançados pelos empregados para o recebimento do 1º delta (referência no plano de carreira). A proposta foi apresentada na reunião do Grupo de Trabalho (GT) de Promoção por Mérito, formado pelos representantes dos empregados e do banco, que aconteceu nesta segunda-feira (11). A representação dos trabalhadores recusou a proposta e insistiu na distribuição linear do 1º delta, além de critérios mais justos para o 2º delta. As negociações continuam nas próximas semanas, em data a ser definida, com a Caixa ficando de repensar sua proposta.
Conforme apresentado pelo banco, os empregados da Caixa teriam que cumprir até o final do ano os seguinte pré-requisitos para receber o primeiro delta :
1 – Certificação Agir Certo Sempre (2023) ou Agir Certo Caixa (2024);
2 – Certificação Cultura Digital;
3 – um curso finalizado no Coursera;
4 – um curso em andamento ou finalizado no Busuu (plataforma para aprendizado de línguas estrangeiras);
5 – um curso de iniciativa pessoal na Universidade Caixa;
6 – Participação em uma ação do Programa Qualidade de Vida. Essa ação poderá ser desde imunização na campanha de vacinação antigripal, convênio com Gympass ativo no plano gratuito, até participação no Programa de Nutrição e Hábitos Saudáveis ou cadastro no aplicativo Caixa em Movimento.
Para ser elegível ao 2º delta, a Caixa propôs que o empregado terá que ter, pelo menos, 300 dias do ano atuando em unidade com nota final 100 no resultado. O 2º delta será distribuído para 20% dos que ganharem o 1º delta.
“A essa altura do ano, faltando menos de dois meses para o final de 2024, é uma quantidade excessiva de cursos que a Caixa quer que sejam feitos para o empregado receber o 1º delta, inclusive em plataformas externas à da Caixa. A considerar que a negociação ainda não terminou, vai sobrar cada vez menos tempo para os empregados cumprirem os pré-requisitos para em janeiro ter a promoção por mérito concretizada. Por isso nós recusamos a proposta na mesa”, informou o diretor do Sindibancários/ES, Igor Bongiovani.
Outra crítica da representação dos empregados foi em relação ao 2º delta. “Dado o formato das agências hoje, com menos funcionários e alta demanda de metas, é praticamente impossível atingir os critérios para o segundo delta”, disse ele.
Bongiovani também considerou absurda a exigência de certificações para os dirigentes sindicais liberados serem elegíveis ao recebimento do delta. “Isso é inadmissível porque o dirigente liberado já cumpre a função de defesa da categoria. Os critérios da Caixa não têm aplicabilidade para dirigentes liberados. É incompatível e descabido”, resumiu.
A representação dos empregados solicitou a utilização integral do 1% do orçamento previsto para as pessoas contempladas tanto com o 1º quanto com o 2º delta. “Defendemos que essa verba seja distribuída em sua totalidade. Que o primeiro delta seja linear e o segundo com critérios mais amenos para que mais pessoas possam ser atingidas”, afirmou o diretor do Sindibancários/ES.
Dados
Os representantes da Caixa trouxeram informações sobre as regras de distribuição nos últimos cinco anos:
2020: para o 1º delta os empregados tiveram que somar no ano anterior 40 pontos na sistemática, cujos critérios foram o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), frequência, capacitação, iniciativa de autodesenvolvimento e avaliação de competências. Para o 2º delta, os critérios foram as maiores pontuações na sistemática.
2021: o 1º delta foi linear, ou seja, o mesmo percentual para todos. O 2º delta, por sua vez, foi entregue aos empregados com desempenho “excepcional” no ciclo do programa Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), sistemática considerada ruim, pois o programa, introduzido na administração de Pedro Guimarães, contribuiu para o adoecimento na categoria por pressão por metas.
2022: o 1º delta foi linear. No 2º, o banco manteve o requisito pelo desempenho “excelente” no GDP.
2023 e 2024: a distribuição foi linear. Contudo, não teve pagamento de 2º delta.

