A Caixa divulgou o balanço de 2023 nesta semana com registro de lucro líquido de R$ 11,7 bilhões (20,0% maior que em 2022). Apesar da alta rentabilidade, o anúncio do lucro não veio acompanhado de implementação de melhorias das condições de trabalho e contratação expressiva de empregados. A divulgação de um novo concurso público nesta quinta-feira (28) veio acompanhada do anúncio de cronograma de mais um Plano de Demissão Voluntária (PDV), o que pode representar um aprofundamento do déficit de bancários e da sobrecarga de trabalho.
De acordo com o balanço, a Caixa terminou 2023 com 86.962 empregados. No final de 2022 esse número era de 86.959. Ou seja, em um ano houve aumento de apenas três empregados no quadro de pessoal. Por outro lado, o banco teve um incremento de 1,9 milhão de novos clientes. Com anúncio de mais um PDV, as 4 mil vagas previstas para o concurso público serão praticamente irrisórias diante da queda do quadro pessoal e do aumento do número de clientes.
Para o diretor do Sindibancários/ES Ronan Teixeira, o lucro precisa ser revertido em benefícios para os empregados do banco. “A Caixa segue sobrecarregando os bancários, cobrando metas e não repõe o quadro de funcionários. Temos o anúncio de um concurso público com número de vagas ainda insuficiente para repor o déficit atual de empregados, que ficará ainda maior após a efetivação de mais um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Com isso, as condições de trabalho dos empregados tendem cada vez mais a piorar. O bancário trabalha sem vislumbrar qualidade de vida, perdendo a saúde”, enfatiza Ronan.
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PLR
A Caixa anunciou na tarde desta quarta-feira (28) a antecipação do pagamento da segunda parcela da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) do ano de 2023 para esta quinta-feira (29). Como o processamento é noturno, os recursos estarão à disposição do empregados na sexta-feira (1º/3). A antecipação do pagamento em mais de um mês veio após solicitação feita pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) durante reunião de negociação ocorrida no dia 6 de fevereiro e formalizada por meio de ofício enviado ao banco pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).
O cálculo da PLR da Caixa é formado pela Regra Básica da Fenaban (composta por 90% do salário, mais uma parcela fixa de R$ 3.194,80, limitada ao teto de R$ 17.138,56), somada à parcela adicional Fenaban (de 2,2% do lucro líquido distribuída linearmente entre os empregados) e pela regra da Caixa (PLR Social), que distribui linearmente mais 4% do lucro líquido. Caso os valores distribuídos referentes aos 4% do lucro líquido não alcancem o valor correspondente a uma Remuneração Base (RB), é previsto o pagamento de uma parcela complementar, para garantir o pagamento mínimo de uma RB a cada empregado.
O Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) prevê que o valor total anual distribuído da PLR é limitado à 15% do lucro líquido que a Caixa teve no ano de 2023. Pela regra, a título de adiantamento, em setembro, deveria ser pago até 50% do valor referente à Regra Básica da Fenaban (ou seja, 45% do salário + uma parcela fixa de R$ 1.597,40, limitada a um teto de R$ 8.569,28), somada à parcela adicional de 2,2% e à PLR Social de 4% do lucro líquido semestral, distribuídos linearmente entre os empregados.
A Caixa, porém, optou por uma “postura conservadora” e não pagou o valor correspondente aos 45% do salário no adiantamento, reduzindo este percentual a 26%, assim como ocorreu em 2021, além de não pagar o valor referente à parcela de garantia de metade de uma Remuneração Base (RB).
Retorno social
A Caixa conseguiu aumentar seu lucro sem se desfazer de ativos, investindo no social e gerando emprego e renda. “A Caixa alcançou resultados excepcionais, fazendo o que os outros bancos não fazem. Numa conjuntura desfavorável de juros altos e maior inadimplência, ampliou o crédito, cresceu sua participação no mercado em vários segmentos e ainda deu conta de atender aos beneficiários de programas sociais e do Minha Casa Minha Vida”, explicou a presidente do banco durante 2023, Rita Serrano, em artigo.
Um dos pontos que chama atenção no balanço divulgado pela direção da Caixa é o investimento em habitação. A Caixa elevou as contratações do crédito imobiliário em 2023, respondendo por 69,6% de todo crédito concedido no mercado, aumento de 5,3% em relação a 2022, enquanto a concorrência 30,4%. Foram registrados R$ 185,4 bilhões em contratações de crédito imobiliário em 2023, sendo 13% maior que 2022, o que representa a maior contratação anual da história da habitação no banco.
As operações de saneamento e infraestrutura tiveram expansão de 1,2% em doze meses, totalizando R$ 98,4 bilhões. Já o crédito para o agronegócio cresceu 27,3% e encerrou o ano com saldo de R$ 56,2 bilhões. As operações de saneamento e infraestrutura tiveram expansão de 1,2% em doze meses, totalizando R$ 98,4 bilhões. Já o crédito para o agronegócio cresceu 27,3% e encerrou o ano com saldo de R$ 56,2 bilhões.
Em 2023, a Caixa financiou 694,3 mil imóveis, beneficiando mais de 2,7 milhões de pessoas com acesso à moradia própria, gerando mais de 1,3 milhão de empregos.
Com informações da Contraf e da Fenae

