Em 2014 a Caixa Econômica Federal empregava 101.484 trabalhadoras e trabalhadores. Dez anos depois esse número reduziu para 86.794 – queda de 14,5%. Mas a demanda de trabalho diminuiu? Não, muito pelo contrário. Se há 10 anos a Caixa tinha quase 85 milhões de contas, hoje tem mais de 233 milhões – crescimento de 175%. Para se ter uma ideia da redução de pessoal versus aumento da demanda de trabalho, em 2014 havia em média 837 contas para cada empregado. Hoje a proporção é de um empregado para 2.685 contas – um aumento de 220%. “Nós sabemos qual é o resultado dessa equação: o adoecimento em massa das bancárias e bancários da Caixa”, afirma o secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários/ES Ronan Teixeira.
O dirigente aponta que a sobrecarga de trabalho e as metas, que andam juntas, estão na raiz do adoecimento, sobretudo o mental. “Essa conta não fecha. Não tem como aumentar a carga de trabalho e reduzir o quadro de pessoal sem deixar sequelas na saúde física e mental do trabalhador”. Ronan lembra que esse debate estará na mesa de negociação específica. “O adoecimento da categoria é um eixo central para o Sindicato dos Bancários na Campanha deste ano. E essa discussão passa obrigatoriamente pelo déficit de pessoal. Se a Caixa abre concurso e ao mesmo tempo lança um novo PDV, esse déficit, na melhor das hipóteses, não se altera. E o adoecimento segue ascendente”, aponta.
Tecnologia para quem?
A pandemia da covid-19 acelerou o processo de digitalização da tecnologia bancária. As despesas e os investimentos em tecnologia comprovam esse boom no segmento. Em 2019 os bancos gastaram R$ 23,9 bilhões em tecnologia (despesas mais investimentos). Este ano, a previsão é chegar a R$ 47,4 bilhões, praticamente o dobro (gráfico abaixo).

Na Caixa, porém, a tecnologia não acompanhou o aumento de contas bancárias e de outras operações bancárias. A consequência desse descompasso, mais uma vez, é a sobrecarga de trabalho. “É urgente que a Caixa acelere os investimentos em infraestrutura tecnológica, mas não nos moldes dos bancos privados, que dobraram os investimentos exclusivamente para melhoraria dos próprios processos. Em nenhum momento pensaram no bem-estar do empregado, como, por exemplo, desenvolver soluções tecnológicas para reduzir a sobrecarga de trabalho. Ao contrário, os bancos investiram em softwares para aumentar o controle sobre os funcionários, tanto para quem está trabalhando presencialmente como em home office. As ferramentas tecnológicas também são usadas hoje para aumentar a intensidade do trabalho e fazer o controle das metas”, sublinha.
Com a infraestrutura tecnológica obsoleta, o empregado tem acúmulo de tarefas que refletem na queda da qualidade do atendimento ao público. “Quando se tem menos empregados para atender a uma demanda crescente, e não se pode contar com a tecnologia como aliada, ocorre a sobrecarga de trabalho e a queda na qualidade do atendimento. A Caixa, na condição de banco público com vocação social, não pode perder de vista que atende a um público majoritariamente de baixa renda e que precisa de um atendimento ainda mais qualificado. Estamos falando de pessoas humildes que, muitas vezes, não têm um celular mais atual ou mesmo uma conexão com um provedor de internet, dependendo exclusivamente do suporte do empregado da Caixa”, ressalta Ronan.
Na mesa de negociação com a Caixa, além de reivindicar mais contratações para reduzir o déficit de empregadas e empregados, a representação dos empregados tem uma pauta específica para o segmento de tecnologia:
- criação de uma carreira de TI para segurar talentos;
- renovação imediata do parque tecnológico;
- fornecimento de recursos de acessibilidade;
- aumentar a quantidade e diversidade de tecnologias assistivas disponibilizadas pela Caixa;
- apoio financeiro para aquisição de tecnologia assistivas por empregados PcD que trabalhem de forma remota;
- melhoria das estruturas das agências.

