Essa semana foi confirmada a oferta pública de ações (IPO, termo em inglês) da Caixa Seguridade, prevista para 29 de abril. A Caixa Seguridade definiu a faixa indicativa de preço das ações entre R$ 9,33 e R$ 12,67. Considerando o preço médio de R$ 11 e a oferta base de 450 milhões de ações, a operação deve movimentar cerca de R$ 5 bilhões, um terço do que o próprio presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estimava arrecadar em janeiro de 2020. A IPO consolida o projeto do Governo Bolsonaro de vender a empresa pública em partes, abrindo mão dos ativos mais valiosos do banco.
“As más notícias não param por aí”, adverte a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges. Ela explica que a Caixa lançou esta semana um programa para incentivar os empregados a comprarem as ações da Caixa Seguridade. “A Caixa está tentando convencer o empregado que essa é uma oportunidade de ouro, um negócio imperdível. A estratégia é seduzir o empregado a comprar as ações e transformá-lo em agente do processo de privatização da própria empresa. Em última análise, comprando as ações o empregado está contribuindo para, mais à frente, fechar seu próprio posto de trabalho, ou seja, fica com as ações e perde o emprego”, afirma Lizandre.
O diretor do Sindicato Igor Vasconcelos classifica a estratégia da Caixa de tentar envolver os empregados no desmonte do banco como imoral e anti-ética. “Sabemos que o plano do Governo Bolsonaro é vender o banco em partes, se desfazendo dos seus principais ativos. A abertura da IPO da Caixa Seguridade desbrava o caminho para esse processo de privatização. A venda das subsidiárias mais valiosas do banco vai, em pouco tempo, transformar a Caixa num grande esqueleto. Isso não irá apenas decretar o fim dos nossos empregos, mas também irá comprometer a capacidade da Caixa de cumprir seu papel social, prejudicando especialmente a população mais vulnerável”, assinala Igor.
Endividamento
Para além de tornar os empregados cúmplices da privatização do banco, Igor conta que o Plano de Incentivos IPO também representa um grande risco de endividamento dos empregados. O diretor explica que a Caixa sugere três opções para o empregado que está sem dinheiro comprar as ações: adiantamento de um salário que pode ser pago em 10 vezes (empréstimo); conversão em dinheiro do saldo de APIP ou da licença-prêmio, para quem tem direito. “Como esse Plano de Incentivo é bastante sedutor, o empregado corre o risco de se endividar sem perceber por meio de empréstimo ou abrindo mão de direitos, como a conversão de APIP e de licença prêmio”.
Metas superdimensionadas
Mesmo o empregado que se recusar a comprar as ações para não fazer parte do processo de desmonte da empresa pública, acabará sendo envolvido na venda das ações da Caixa Seguridade. Lizandre Borges diz que a Caixa já traçou as metas para cada uma das agências ajudar o banco a vender parte das 450 milhões de ações que devem ser abertas na bolsa no dia 29 de abril. Segundo a dirigente, o Sindicato tem recebido informações de que as metas estão sendo superdimensionadas pelo banco. Ela destaca que pandemia atravessa seu período mais crítico não só no Espírito Santo, mas em todo o país.
“Além da crise sanitária, a Caixa retomou esta semana o pagamento do auxílio emergencial. Tudo isso em meio a estados e municípios com sistemas se saúde colapsados, medidas restritivas de isolamento social em andamento e recordes diários de óbitos. Mas a Caixa ignora solenemente essa trágica conjuntura e impõe uma meta abusiva para os empregados venderem as ações de um dos principais ativos do banco. É uma pressão desumana. Vai passar pela cabeça do empregado que cumprir a meta para a venda das ações que, de alguma maneira, ele estará enfraquecendo a luta contra a privatização. Isso é muito cruel com todos aqueles que lutam para manter a Caixa 100% pública”, lamenta Lizandre.
A dirigente, que também integra a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE-Caixa), disse que a CEE indicará um calendário de mobilização a começar na próxima segunda-feira, 12, com uma plenária nacional dos dirigentes da Caixa para poder multiplicar na base através de reuniões virtuais as informações sobre a IPO da Caixa Seguridade.

