Desde que a pandemia do novo coronavírus foi decretada, a Caixa Econômica Federal elaborou um conjunto de protocolos para prevenir e conter a propagação da covid-19 entre seus empregados. As medidas preveem, nos casos confirmados da doença, o afastamento do infectado e dos empregados com os quais ele teve contato, além da sanitização da unidade. No papel, os protocolos são claríssimos, mas, na prática, eles não têm sido seguidos.
“Alguns gerentes, pressionados pelas metas – que continuam sendo exigidas pela Caixa mesmo durante a pandemia -, estão tentando ‘driblar’ os protocolos. O Sindicato dos Bancários/ES tem recebido denúncias de empregados que acusam os gerentes de retardarem ou mesmo omitirem a comunicação de casos confirmados de covid-19. Esses gerentes estariam querendo evitar a sanitização, que implica no fechamento da agência, o que compromete o cumprimento das metas, explica Lizandre Borges, diretora do Sindicato, que questiona: “Mas por que os gerentes estão descumprindo um protocolo do banco em meio a uma crise sanitária sem precedentes, correndo o risco de sofrerem um processo administrativo? É notório que eles estão sendo pressionados pela Caixa. Há um discurso oficial que a Caixa faz para fora, como uma empresa responsável, mas que na prática, para dentro, ordena que seus subordinados burlem os protocolos”, critica Lizandre.
A dirigente afirma que essa situação tem causado mais estresse aos empregados, que muitas vezes ficam sabendo informalmente dos casos de colegas que contraíram a doença. As suspeitas sobre os casos de covid19, segunda ela, circulam incertas e aumentam a ansiedade e o pânico na equipe. “A informação fica no nível ‘ouvi falar que o fulano que estava apresentando sintomas testou positivo; ou, ‘repararam que o sicrano que foi dispensado mais cedo aquele dia parou de vir?’. Os empregados já estão trabalhando sob forte tensão e a falta de informação deixa o clima ainda mais pesado”, aponta.
Lizandre afirma que alguns protocolos da Caixa foram atualizados a partir dessa quarta-feira, 1, ajustando os procedimentos à Portaria Conjunta 20/2020, de 18 junho, da Secretária da Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. A dirigente explica que a nova CE SUBER/GERET 032/2020 da Caixa ratifica que o gerente deve notificar área de Pessoas e superior hierárquico de forma concomitante, além de adotar as providências operacionais e encaminhamentos necessários, como indicar ao empregado local para realização do teste para a covid19. “O gestor deve comunicar imediatamente à equipe e aos superiores que há um caso confirmado de covid-19 na unidade. Os empregados deveriam ser sempre os primeiros a receber a informação. Afinal, são eles que estão mais expostos à doença”, adverte.
Em seguida, continua Lizandre, o protocolo determina o agendamento com a Logística o horário de sanitização da unidade. No caso de agência, caberá ao superintendente de Rede avaliar migração/alocação de empregados de outras unidades, logo após a higienização, para garantir continuidade do atendimento. Caso não seja possível, deve submeter avaliação para fechamento da unidade.
Lizandre diz que alguns protocolos de fato sofreram mudanças com a nova Portaria, mas a CE 032 não desobriga o gerente de fazer a comunicação de casos de covid19. Sobre as mudanças, ela cita como exemplo uma bastante inusitada, que define os protocolos para o afastamento dos empregados que tiveram contato com o colega infectado. Segundo o novo protocolo, devem entrar em quarentena o empregado que conversou por mais de 15 minutos com o colega que testou positivo para covid19 ou que esteve a menos de um metro de distância do infectado. “Esse é um critério inviável. No dia a dia de uma agência, em meio à pressão da pandemia em si, das filas, das metas, é impossível recordar se a distância mínima foi guardada com o colega ou se a conversa durou 10, 15 ou 20 minutos. Esse tipo de protocolo o papel aceita, mas não funciona na prática”, critica Lizandre.
A dirigente solicita que os empregados denunciem os casos de gerentes que estão retardando ou omitindo a comunicação dos casos de covid19 para que o Sindicato possa adotar as medidas necessárias. “O Sindicato já fez diversas reuniões com a Superintendência da Caixa solicitando que os gestores sejam orientados sobre os protocolos, sendo bem claros sobre o tratamento dos casos. Não há desculpa, este novo protocolo não altera o anterior nesse quesito. Ao identificar um caso de covid19, a comunicação deve ser imediata para a adoção dos procedimentos de afastamento do empregado e a sanitização da unidade”, finaliza Lizandre.

