A Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) e representantes do banco retomaram as negociações nessa segunda-feira, 25. Na pauta, a reivindicação por novas contratações; o programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), que tem sido usado como ferramenta de assédio; as travas no processo de seleção interna, a redução da jornada de trabalho semanal e o fim da designação por minuto para as funções de caixa, tesoureiro e avaliador de penhor.
Novas contratações
Os interlocutores da Caixa prometeram retomar o processo de contratação, previsto em edital, dos candidatos do concurso de 2014. Esses candidatos, segundo o banco, já foram convocados e já estariam aptos para começar. Os representantes do banco ponderaram, no entanto, que a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) autorizou a Caixa a contratar mais empregados até o teto de 87.544 trabalhadores. Hoje o banco possui 86.907 empregados, segundo dados da da Caixa.
“Para não romper o teto, a Caixa teria uma margem estreita de pouco mais de 600 contratações. É um número irrisório ante a defasagem do quadro de pessoal que vem encolhendo ano a ano.”, aponta a diretora do Sindicato dos Bancários e integrante da CEE-Caixa Lizandre Borges. A dirigente lembra que em 2014, ano da realização do último concurso, a Caixa tinha mais de 100 mil empregados. À medida que o número de empregados cai, sobe o de clientes. Hoje são mais de 142 milhões de clientes, uma média de mais de 1.600 por empregado. “Essa conta simplesmente não fecha. O resultado é sobrecarga de trabalho, pressão por metas cada vez mais desumanas e adoecimento em massa.”, ressalta Lizandre.
Na mesa de negociação, a CEE cobrou a contratação de ao menos mais 30 mil empregados. “Se há mais de oito anos a Caixa tinha mais de 100 mil empregados, elevar esse patamar para cerca de 116 mil trabalhadores seria um quadro razoável para acompanhar o aumento da demanda. Só com novos concursos e mais contratações é possível melhorar a qualidade do atendimento à população, reduzir a sobrecarga de trabalho e consequentemente os adoecimentos. Seria importante convocar todos os candidatos do concurso de 2014 e encerrar de vez esse processo seletivo. As pessoas querem encaminhar suas vidas. Não dá para ficar preso a um processo seletivo que se arrasta por oito anos.”, critica Lizandre.
Sobre a demanda por novas contratações, os interlocutores da Caixa reafirmaram que precisam respeitar o teto de 87.544, o que hoje representa uma margem de 637 vagas. Eles esclareceram que dentro dessa margem ainda precisam manter uma reserva técnica de vagas.
GDP
Com relação à Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP), o banco concordou em discutir o programa. Lizandre diz que a posição do Sindibancários é pela extinção do GDP. “Na verdade, gostaríamos de estar discutindo com a Caixa o fim do programa. O GDP é um instrumento de assédio. Não é possível evoluir nenhuma uma discussão a partir desse modelo que prioriza o desempenho individual em detrimento do coletivo. É necessário construir um novo modelo de avaliação partindo do zero. Não queremos ficar fazendo ‘puxadinho’ de um modelo que adoece o trabalhador e destrói o tecido coletivo que une os empregados”, diz dirigente do Sindibancários.
Para o representante da Federação Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados da Bahia e Sergipe (Feeb – BA/SE), Emanoel Souza a Caixa adoeceu e esta é a oportunidade de se construir uma vacina. “Precisamos construir outras ferramentas e instâncias de avaliação que estejam descontaminadas com o vírus do assédio.”, afirmou Souza.
Seleção interna
Outra demanda apresentada pela representação dos empregados foi com relação ao Processos de Seleção Interna (PSI). “A CEE colocou que há inúmeros relatos de travas que impedem a ascensão profissional. A Caixa rebateu que desde novembro de 2020 não existem mais travas que impedem a ascensão do empregado.
“Pode não existir a trava formal, mas a Caixa impede a saída, porque não existe a contratação para a substituição da pessoa. Se ela sai, o departamento ou agência fica desguarnecido. Aí dizem que somente libera se o próprio trabalhador arrumar alguém para substituí-lo.”, explicou Vivian Carla de Sá, representante da Federação dos Bancários de São Paulo (Fetec/SP).
Sobre a PSI, a Caixa se comprometeu a melhorar a comunicação e encontrar formas para que não se impeça a ascensão profissional.
Designação por minuto
O descomissionamento arbitrário, a incorporação de função gratificada e o fim da designação por minuto para as funções de caixa, tesoureiro e avaliador de penhor foi outro tema discutido na reunião dessa segunda-feira com a Caixa.
Lizandre destaca que a designação por minuto é um instrumento de exploração do empregado e porta para a precarização das relações de trabalho. “A designação por minuto é a institucionalização do trabalho intermitente dentro da Caixa, que só traz prejuízo para o trabalhador.” Ela acrescenta que a designação por minuto não é considerada para o encarreiramento do empregado. Não conta como score. Já a função efetiva é contabilizada como score para o Processo de Seleção Interna (PSI).
“O valor que o empregado recebe na designação por minuto é muito inferior ao pago pela função efetiva. Sem contar que essa precarização deixa o empregado vulnerável ao erro, pelo fato de ele ser designado esporadicamente para a função. Isso é muito complicado para o caixa, tesoureiro e avaliador de penhor, funções com certa complexidade técnica e que envolvem valores, muitas vezes, elevados.”
Sobre a designação por minuto, o banco concordou em debater e propôs o agendamento de uma reunião específica para tratar do assunto. A Caixa, no entanto, se recusou a retomar a discussão de de outro tema apresentado pela CEE: a incorporação das gratificações de função. O banco disse que os descomissionamentos ocorrem quando há motivação, classificando-os como desligamentos motivados.
Jornada reduzida
A CEE também apresentou a demanda de jornada de quatro dias semanais, que também é um dos pontos contemplados na minuta da campanha nacional deste ano apresentada à Fenaban. Lizandre destaca a atualidade do tema e diz que a redução da jornada de trabalho de cinco para quatro dias semanais tem se mostrado positiva tanto para o trabalhador quanto para a empresa.
Reino Unido, Japão, Bélgica, Portugal e Nova Zelândia, alguns países que vêm adotando a redução da jornada, os gestores das empresas relatam que não houve queda de produtividade, mas ganho de qualidade e melhora do ambiente de trabalho. As primeiras pesquisas sobre o novo modelo, destaca a dirigente, têm apontado que a jornada de quatro dias ainda reduz o nível de estresse e os adoecimentos.
“Uma proposta que reduz o adoecimento – hoje um dos mais sérios problemas enfrentados pela categoria – tem de ser analisada com muito carinho. A discussão ainda é incipiente e teremos oportunidade de aprofundar o tema. Mas precisamos enfatizar que essa não é uma proposta para o futuro, e pra já”, sublinha Lizandre.







