A Caixa publicou no início de junho as normas do Programa de Novos Modelos de Trabalho (RH 226). O normativo evidencia o que já é característico do trabalho remoto: imposição de metas, fim da jornada de seis horas e custos operacionais na conta dos trabalhadores. Os empregados que se submeterem a uma das modalidades terão obrigatoriamente que assinar um aditivo de modificação do contrato de trabalho. Essa é uma das mais graves ameaças aos direitos conquistados pelos bancários e bancárias, ao impor, por exemplo, o fim da jornada de seis horas.
De acordo com a RH 226, o direcionamento do programa é todo por metas. O alcance das metas estabelecidas pela Caixa, inclusive, é pré-requisito para a seleção das unidades e empregados para o programa. Além disso, os trabalhadores remotos não precisarão registrar ponto no Sipon – todo o controle do trabalho será por meio de metas, definidas pelo gestor.
“A adoção do trabalho remoto é a institucionalização de uma gestão opressora, em que a jornada será substituída por metas, definidas ao
bel prazer do seu gestor, sem que o trabalhador ganhe a mais por isso. Pelo contrário, pode sofrer redução de verbas salariais com a possibilidade, por exemplo, de ficar sem o auxílio-refeição”, alerta a diretora do Sindibancários/ ES Lizandre Borges.
Custos
Para trabalhar em casa, o empregado deve atender a exigências da Caixa,que incluem iluminação e mobiliários adequados, climatização, equipamentos, limpeza, entre outras. Todos os custos com aquisição e manutenção da estrutura física e tecnológica ficarão nas costas dos empregados. “A Caixa exige dos trabalhadores remotos um padrão de local de trabalho que não há nas próprias unidades do banco. Os empregados enfrentam falta de climatização, iluminação imprópria, mobiliário velho, equipamentos obsoletos e quebrados”, contesta Lizandre.
Mobilidade
Dentre as ciladas do programa está ainda a categoria Mobilidade Caixa, em que os trabalhadores podem ser realocados para atender demandas em outras agências. A estratégia permitirá à Caixa burlar a escassez de empregados nas agências e reduzir as substituições de funções, já que o banco poderá ter bancários disponíveis apenas para substituir ausências ou atender demandas momentâneas.
O trabalho remoto é ainda um ataque à organização dos trabalhadores. “Com bancários atuando em casa, fora do país ou cada dia em um local, há uma fragmentação da unidade, da organização da categoria, que se dá principalmente com o contato diário. Além disso, impõe barreiras para o acesso das entidades representativas aos empregados”, destaca Lizandre.


