Após pressão de entidades representativas dos trabalhadores, a Caixa decidiu suspender por 30 dias, em todo o país, o processo de demissão de aproximadamente três mil telefonistas terceirizadas.

O anúncio foi feito após reunião realizada na última quarta-feira (30) entre a direção da Federação Nacional das Associações da Caixa (Fenae), a representante dos empregados no Conselho de Administração do banco e a Diretoria Executiva de Logística, Contratação e Segurança da Caixa. De acordo com a instituição, o processo está suspenso até que seja concluído o estudo que avalie os efeitos da decisão.

“É desumano; a Caixa não pode ser promotora de desemprego dessa magnitude”, critica a coordenadora-geral do Sindibancários/ES, Rita Lima. “Se a Caixa avalia que não precisa mais desse serviço, que pense em outras possibilidades para essas trabalhadoras. Não se resolve uma questão demitindo pessoas com mais de 20 anos de serviços prestados”, pontua.

Remanejamento

Para diminuir o impacto social que as demissões causariam na vida das trabalhadoras, o banco se comprometeu a realocar cerca de 30% das telefonistas para o cargo de recepcionista. As trabalhadoras que são mães de crianças neurodivergentes e Pessoas com Deficiência (PcDs), bem como aquelas que estão mais próximas da aposentadoria, terão preferência no remanejamento.

CNDH oficia presidente da Caixa
Na última semana, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), órgão autônomo criado pela Lei 12.986/14, enviou ofício ao presidente da Caixa, Carlos Vieira, sobre a demissão em massa das trabalhadoras e a extinção da função de telefonista no banco.

O órgão manifestou repúdio às medidas e solicitou esclarecimentos acerca das diversas denúncias que recebeu sobre o desligamento em massa e as possíveis violações de direitos fundamentais.