A Caixa Econômica Federal anunciou nessa quarta-feira (15) lucro líquido recorrente de R$ 2,9 bilhões no primeiro trimestre de 2024. O resultado representa uma alta de 49% em relação ao mesmo período do ano passado (1T23) e de 0,5% na comparação com o trimestre imediatamente anterior (4T23). O lucro líquido contábil foi de R$ 2,5 bilhões em função das deduções referentes a despesas com o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) de 2024, que se encerra no dia 31 de maio. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido do banco (ROE) ficou em 9,55% com incremento de 2 pontos percentuais (p.p.) ao longo de 12 meses.
Nos três primeiros meses do ano, 1,56 milhão de brasileiros e brasileiras passaram a ser correntistas da Caixa. “Ao mesmo tempo que o número de clientes sobe, o de empregados cai”, aponta a dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão Executiva de Empregados (CEE-Caixa), Lizandre Borges, se referindo ao déficit de pessoal, que registrou 168 desligamentos no período.
“Temos um PDV em andamento que deve desligar 3.200 empregados e empregadas. Ah, mas tem o concurso agora no final de maio. É verdade, mas o problema é que são pouco mais de 4 mil vagas que serão distribuídas, meio a meio, entre técnicos bancários e profissionais da área de TI [Tecnologia da Informação]. Matematicamente saem 3.200 e entram 2 mil: déficit de 2.200 empregados”, calcula Lizandre.
No final de março, a Caixa tinha 86.794 empregados. “É uma redução de quase 15 mil empregados se comparado há dez anos, quando o banco chegou a ter mais de 101 mil empregados”. Lizandre acrescenta que a redução do quadro de pessoal e o aumento da demanda de trabalho têm provocado sobrecarga de trabalho e o adoecimento em massa das empregadas e empregados.
A dirigente dá como exemplo a força tarefa que está sendo montada na Caixa para atender às demandas anunciadas pelo presidente Lula para mitigar os efeitos da tragédia causada pelas chuvas no Rio Grande do Sul, que já mataram 151 pessoas (104 desaparecidos), desabrigaram mais de 77 mil e deixaram desabrigadas outros 538 mil pessoas. “Como na emergência sanitária da covid, os empregados e as empregadas da Caixa, mais uma vez, têm importância estratégica na crise e vão se empenhar ao máximo para dar suporte ao povo gaúcho que padece com essa tragédia sem precedentes. Esse é exatamente o papel da Caixa como banco público e social. O problema é que para darmos conta dessas novas demandas, precisamos de mais empregados e empregadas na linha de frente. O gestor que está no comando da direção da Caixa tem de ter essa visão social do banco. Não queremos ser concorrentes do Itaú ou Santander, porque nosso propósito não é acumular lucro para distribuir para acionistas. Os acionistas da Caixa são o povo brasileiro e os dividendos vêm em forma desses diversos programas sociais que estão sob a gestão da Caixa”, assinala.
Para a representante da CEE, os investimentos em tecnologia são necessários, “mas considero um equívoco destinar 50% das vagas para profissionais de tecnologia quando a demanda pede um reforço de trabalhadores na linha de frente. Não podemos deixar de considerar que o perfil do cliente da Caixa é diferenciado. É um cliente que muitas vezes não tem um aparelho de celular compatível com as novas tecnologias ou tampouco acesso a um pacote de internet. Nosso cliente é aquele que busca atendimento presencial na agência e que quer conversar com um humano capaz de lhe garantir um atendimento de qualidade que o deixe satisfeito”, afirma.
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