A proposta para caixas e tesoureiros apresentada na reunião desta quinta-feira (01) pela Caixa Econômica Federal à Comissão Executiva de Empregados (CEE-Caixa) não agradou os representantes dos empregados. Segundo Lizandre Borges, dirigente do Sindibancários/ES e membra da CEE, a proposta foi frustrante porque praticamente é idêntica à apresentada no ano passado – rejeitada pelos empregados à ocasião. “Essa proposta requentada não soluciona o problema dos caixas e tesoureiros. Não há como as negociações avançarem partindo dessa proposta”, afirma a dirigente.
Lizandre explica que a Caixa propõe, para o retorno das designações efetivas de caixa e tesoureiro, adicional de quebra de caixa apenas para aqueles que não recebiam gratificação da função. Previsto em normativo interno, o adicional de quebra de caixa foi extinto pelo banco, prejudicando milhares de empregados que lidam com numerários. A Caixa também ofereceu a possibilidade de acordos via comissões (CCV/CCP) àqueles que não têm ação na Justiça cobrando o pagamento da quebra de caixa.
No caso específico de tesoureiros, a proposta do banco prevê migração automática da jornada de 8 para 6 horas, com redução proporcional salarial, além da possibilidade de acordos nas Comissões de Conciliação (CCV/CCP). “Não podemos aceitar nenhuma proposta que condicione as ações judiciais, sejam elas individuais ou coletivas das entidades”, assinala Lizandre.
Números
Na reunião, a Caixa apresentou alguns números. Dos 7.978 caixas, 367 (4,6%) aderiram ao PDV. Tesoureiros são ao todo 2.749, 84 (3%) pleitearam o PDV. De acordo com Lizandre, os números revelam que a Caixa está desidratando as funções de caixa e tesoureiro. “A Caixa não designa mais caixa e tesoureiros. Os que estão na função, aos poucos, vão saindo, por meio de uma PDV, aposentadoria, promoção, e não há reposição. Se dividirmos o número de agências físicas (3.372) pelo número de caixas (7.978), chegaremos à proporção média de dois caixas por agência. A relação de tesoureiros (2.749) é ainda menor, menos de um (0,8) empregado por unidade”, aponta.
Esse processo de desidratação dessas funções, destaca Lizandre, deixa claro que a Caixa não quer voltar a nomear novos caixas e tesoureiros. “A intenção do banco é precarizar as funções de caixa e tesoureiro e submeter esses empregados ao regime de trabalho intermitente, essa excrescência criada pela reforma trabalhista. Reafirmo, não podemos avançar numa negociação que retira direitos dos empregados”, afirma Lizandre.

