Nessa terça-feira, 11, aconteceu a mesa permanente de negociação, que reuniu a Comissão Executiva de Empregados da Caixa (CEE/Caixa) e a direção do banco. Entre os assuntos discutidos, destaques para o valor devido da PLR Social, atualização dos protocolos sanitários da covid-19, suspensão da certificação CPA20 e a falta de greve referente à mobilização do dia 27 de abril.

O ponto central da reunião foi o questionamento da CEE/Caixa em relação à diferença de 1% na PLR – o banco pagou 3% e não os 4% devidos, desrespeitando o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A Caixa insistiu na tese de que os empregados não atingiram uma meta que nem ao menos foi previamente negociada. A diretora do Sindibancários/ES e integrante da CEE/Caixa, Lizandre Borges, adverte que o banco deixou claro que não irá cumprir o ACT e pagar o valor devido.

Os membros da CEE/Caixa destacaram que o assunto PLR foi retomado na mesa de reunião com a expectativa de que se chegasse a uma saída negociada para o impasse. Segundo a dirigente, o intuito de buscar a negociação é evitar a judicialização do pagamento da PLR devida pela Caixa, como determina o ACT. Ainda assim, diz Lizandre, a Caixa se manteve intransigente.

Falta de greve

Com relação à mobilização nacional do dia 27 de abril, quando houve paralisação ou retardamento da abertura das agências em todo o país, em protesto à venda de ações da Caixa Seguridade na Bolsa de Valores e ao processo de desmonte da empresa, a CEE-Caixa defendeu que o banco registre as ausências dos empregados como falta de greve, e não como falta não justificada, como fez. “A falta não justificada tem repercussão funcional, a de greve, somente financeira, mas o banco já deixou claro que não vai atender a nossa reivindicação”, relata.

A dirigente esclarece que os empregados e as empregadas da Caixa no Espírito Santo não serão atingidos pela arbitrariedade do desconto, pois não houve paralisação no Estado no dia 27, somente retardamento de abertura de 10 agências da Grande Vitória. Em outras unidades federativas, será preciso entrar na justiça para que o banco cumpra a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em pedido de tutela cautelar ingressado pela Caixa em 26 de abril, o banco alegou que a paralisação era “abusiva, com cunho político e ideológico”.

No entanto, o juiz Maurício José Godinho indeferiu o pedido e determinou que apenas os serviços de compensação bancária e o pagamento do auxílio emergencial deveriam ser realizados, garantindo o direito de greve a 40% dos empregados.

Procolos covid

Os protocolos sanitários contra a covid implantados pela Caixa são do início de junho de 2020, portanto, estão desatualizados. “De lá pra cá surgiram novas cepas, mais agressivas e mais transmissíveis. Os protocolos têm de ser mais rígidos”, defende.

Lizandre lembra que 60 empregados e empregadas da Caixa morreram de covid no país. “Foram 18 mortes em 2020. Só neste ano já morreram mais que o dobro: 42. O aumento das vítimas fatais da doença evidencia a necessidade de revermos e redobrarmos os cuidados”, adverte.

Uma das solicitações feitas pela CEE-Caixa, acentua a dirigente, foi que o banco colocasse o máximo possível de empregados em home office, além de reforçar a orientação aos clientes e usuários dos serviços bancários que recorram aos canais digitais, demandando o atendimento presencial somente em casos excepcionais, como o pagamento de benefícios relacionadas à pandemia, caso do auxílio amergencial.

CPA 20

Durante a reunião também foi reivindicada junto ao banco a suspensão da Certificação CPA 20, que deve ser apresentada pelos gerentes para que não percam a função. A Caixa se comprometeu a avaliar o pedido, uma vez que, conforme alertou a representação das empregadas e empregados, para conseguir a certificação é preciso um curso, que, no momento, não está sendo ofertado pela empresa por causa da crise sanitária