(Matéria atuliazada dia 07/04/21, às 13h00) Os principais jornais econômicos do país noticiaram nesta terça-feira, 06, que a oferta pública de ações (IPO, termo em inglês) da Caixa Seguridade acontece ainda em abril. A Caixa Seguridade definiu a faixa indicativa de preço das ações entre R$ 9,33 e R$ 12,67. Considerando o preço médio de R$ 11 e a oferta base de 450 milhões de ações, a operação deve movimentar cerca de R$ 5 bilhões.

Esta é a terceira tentativa de abertura do capital da Caixa Seguridade em pouco mais de um ano. Em setembro de 2020, o controlador suspendeu a operação em função da grande instabilidade do mercado devido à pandemia.

A Caixa Seguridade é a terceira maior operadora de seguros do país, com produtos destinados aos segmentos habitacional, prestamista, vida e residencial. A empresa pública responde por 13,5% do mercado de seguros (Susep, dados de 2020). Apesar da importante fatia de mercado e solidez, as ações devem ser comercializadas por um valor muito abaixo do estimado.

A preço de banana

“É mais uma valiosa empresa pública que está sendo rifada a preço de banana”, critica a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges. Ela recorda que em janeiro de 2020, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estimou que a IPO da Caixa Seguridade arrecadaria R$ 60 bilhões. Na ocasião, o banco acabou suspendendo a IPO com o início da pandemia.

“Ora, se a Caixa vai negociar nessa IPO 25% das ações, pelas previsões de Guimarães, a operação deveria movimentar algo na faixa de R$ 15 bilhões, mas a realidade do mercado, neste momento adverso, está apontando para um terço desse valor. Se em 2020 a operação foi abortada pelos impactos da pandemia, o momento que o Brasil atravessa em relação à crise sanitária é muito mais crítico. O Governo Bolsonaro está simplesmente fritando o patrimônio público. Quem deve estar festejando é o setor financeiro, que vai se beneficiar com a pechincha”, protesta.

A dirigente diz que a prática de rifar o patrimônio público tem sido recorrente na política neoliberal do Governo Bolsonaro. Ela cita como exemplo o caso recente da Refinaria Landulpho Alves, na bacia baiana, que estava avaliada em mais de 3 bilhões de dólares, mais foi vendida por 1,65 bilhão de dólares.

A operação está sendo estruturada pela própria Caixa, ao lado de Morgan Stanley, Bank of America, Itaú BBA, Credit Suisse e UBS BB.

BTG fazendo a festa

Em julho de 2020, quando todas as atenções do país estavam voltadas para a pandemia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, articulou com o então presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, a venda de carteiras de crédito do BB a um fundo do BTG Pactual, banco cujo ministro é cofundador. Foi a primeira vez que o BB fez a cessão de carteira a um banco que não pertence ao seu conglomerado. A carteira cedida tinha valor contábil de R$ 2,9 bilhões, mas o impacto financeiro da transação foi de R$ 371 milhões.

Não bastasse a transação vantajosa há menos de um ano, o BTG Pactual, que tem o DNA de Guedes, protagoniza outra operação fabulosa, desta vez com a Caixa. O BTG que é co-controlador do Banco Pan desde 2011, adquiriu 49,2% do capital votante da Caixa, o equivalente a 26,8% do capital total do Pan. O BTG pagará R$ 11,42 por ação ordinária do Banco Pan à Caixa. Com o anúncio da transação, as ações preferenciais do Banco Pan subiram cerca de 10% nesta terça-feira, 06,e já eram negociadas a R$ 12,61. Com o desfecho da transação, a Caixa completa o desinvestimento de sua participação no Pan por um total de R$ 4,4 bilhões.

“Não há como não levantarmos suspeição nessas operações. Sabemos que o ministro Paulo Guedes, cofundador, ainda deve manter influência sobre o banco. Depois do caso das carteiras de crédito do BB, temos novamente o BTG à frente de outra operação envolvendo um banco público”, critica Lizandre.