A gestão de Pedro Guimarães à frente da Caixa Econômica Federal tem imposto ataques aos direitos à dignidade de bancários e bancárias do banco público. Em outubro último a Caixa publicou o Normativo CR 440 000, conhecido como PQV – Programa de Incentivo às Práticas de Vendas Qualificadas. A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/ Caixa), tão logo soube dos propósitos do programa, pediu a suspensão imediato do normativo.

Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges, o PQV é uma ferramenta de assédio para vigiar e punir os empregados. A dirigente diz que falar ao celular, alimentar-se durante o atendimento, apontar o dedo e até mesmo o mau humor são alguns dos comportamentos que serão monitorados pelo programa, podendo resultar em punição para os empregados.

Vigiar e punir

“Inevitável não vir à cabeça o panóptico de Foucault (1926 – 1984). Em ‘Vigiar e Punir’ o filósofo francês fala do poder de vigilância generalizada e direta do panóptico, o olho que tudo vê. Sem exceção, tudo será observado, filmado e catalogado, diria Foucault. O PQV é o panóptico do Pedro Guimarães”, critica.

Segundo Lizandre, os critérios para avaliar se o atendimento foi ou não satisfatório são completamente subjetivos. “Como você avalia o índice de bom humor de uma pessoa? Temos que lembrar sempre aos gestores da Caixa que os empregados não são máquinas, eles têm problemas e estão sujeitos a variações de humor como todos nós. Não existe um botãozinho que nos deixa de bom humor”.

A dirigente destaca também que o empregado no dia a dia tem limitações que são impostas pela própria instituição. “Nem sempre o cliente que veio contratar um empréstimo vai sair com um sorriso de orelha a orelha no final do atendimento. O funcionário, muitas vezes, não pode atender às expectativas do cliente porque também está sujeito às políticas do banco. Mas com o PQV, quem acaba pagando a conta se o cliente se sentir frustrado é o empregado. Por isso o Sindicato é terminantemente contra o PQV”.

Falha comportamental

Para a CEE/Caixa, o programa não só traz ainda mais trabalho aos gestores, que terão de fiscalizar os empregados, como também é um instrumento de assédio moral e exposição, com a possibilidade de punição subjetiva por baixo desempenho.

A dirigente sindical destaca ainda que o PQV cria o conceito chamado “falha comportamental”, que pode ser apontada e corrigida por procedimento correcional ou instauração de processo administrativo, sem definir quais seriam essas ações para correção.

Lizandre acrescenta que o PQV é uma ferramenta retrógrada e incapaz de conquistar excelência no atendimento. “Uma ferramenta de avaliação que tem o propósito de vigiar e punir seus empregados não pode dar certo”, finaliza.